sábado, 14 de julho de 2018


Exposição
Ases & Trunfos - 2018
Galeria 7 - Coimbra

A Galeria Sete anuncia a partir deste sábado, dia 14 de Julho, uma exposição de obras de autores consagrados (com várias novidades), a par de artistas mais jovens, estendida para o acervo da galeria que conta com obras dos artistas como os que pode ver no convite 















"Linhas sensíveis revelam o diálogo entre a mão e o olhar do pintor,na construção de um espaço que é sempre entendido através da sugestão da figura humana,em desenhos que valem por si mesmos,ou em pinturas de harmónicos valores luminosos"

 Rui Mário Gonçalves in 100 Pintores Portugueses do Século XX Publ.Alfa

quarta-feira, 28 de março de 2018

Exposições/Memórias



«Nas Margens da Linha»


Exposição composta por cerca de 30 Desenhos, abrangendo um período de aproximadamente 50 anos.
Estão representados 21 autores: António Areal, António Carmo, Diogo deCalle, Fernanda Pissarro, Fernanda Maio, Francisco Simões, Inez Wijnhorst, João Gago, J. M. Rocha de Sousa, José Assis, José Oliveira, Luís Dourdil, Manuela Cristóvão, Odete Silva, Ricardo Pacheco, Rita Gamboa, Sara Borga, Teresa Gonçalves Lobo, entre outros.

Abordamos nesta exposição o Desenho como uma forma de manifestação da Arte, nas suas várias linguagens e expressões, em que o Artista transfere para o papel imagens e composições, numa relação do pensamento com o desenho e com a sua expressão poética individual.
É um conjunto extraordinariamente diversificado, marcado pelo tempo e pela variedade expressiva.

07-12-2012 a 27-01-2013  Castelo Branco






Carvão s/papel   70 X 100 - 1979  © All rights reserved




"Desenhar não é o que o vemos, mas sim o que podemos fazer ver aos outros."
Edgar Degas 

terça-feira, 27 de março de 2018

Pintura



RETRATO DE UM POVO DE LUIS DOURDIL
"Dourdil foi um mestre do equilíbrio de diversas aprendizagens
do seu tempo, tanto na ordem de uma figuração transgredida como no âmbito de uma insinuação abstracta ao mesmo tempo pressuposta e exposta. E o enlace de tais processos de construir e de formar permitiu-lhe, sem a demagogia de certas denúncias superficiais,alcançar níveis de significação onde acabava por prevalecer um especial sentido do drama.O drama social, sem dúvida, mas sobretudo no plano de grandes sínteses,entre brumas, desencantos e fugazes anotações líricas sobre lugares anónimos,sobre protagonistas mascarados de sombra, sobre abraços e mortes lassas de um quotidiano cada vez mais absurdo.
Contemporâneo da literatura do absurdo, mas não empenhado em a seguir ou ilustrar, Dourdil é dos autores portugueses que melhor entenderam esse não sentido do enganador sentido das aparências, quer do ponto de vista gestáltico,quer do ponto de vista existencial e filosófico. É por isso que a sua pintura nos mostra gente em espera,pedaços de corpos,sonos,sem amanhecer,solidariedades desesperadas,um grito silencioso que podemos conotar,passando por cima do lado imediato da forma com o teatro de Beckett ou a inquietante ausência de resposta, das melhores alegorias de Kafka.(...)
Prof. ROCHA DE SOUSA
In Artes Plásticas nº 1 de 1990

quinta-feira, 15 de março de 2018

"Pintores de Portugal"

Luís Dourdil nasceu em Coimbra, na Rua do Guedes, freguesia da Sé Velha, no dia 08 de Novembro de 1914  e faleceu em Lisboa no dia 29 de Setembro de 1989.

Em 1935, surgiu pela 1ª vez na Exposição de Arte Moderna, organizada pela revista de Cultura e Arte “Momento”. 

Entre 1944 e 2000, a sua obra pôde ser apreciada de norte a sul do País em exposições colectivas.






Era uma sensibilidade extraordinária, o Luís Dourdil
e como essa sensibilidade se aliava a grandes conhecimentos de arte e ao domínio inteiro da técnica, em particular do desenho, o Dourdil tinha todas as condições para ter sido um nome de primeiro plano na Arte Portuguesa do nosso tempo. O seu desenho tem uma leveza e, ao mesmo tempo, uma força que marcam a personalidade do artista”.

Raul Rego





Os desenhos de Luís Doudil dão conta,desde a escolha da maleabilidade do carvão,a uma voluntariedade da mão que se deixa embriegar na sequência da linguagem e na passagem de um a outro desenho,numa longa e meditada harmonia sem se deixar cegar pela lucidez duma solução,focaliza a sua atenção na figura humana criando uma "caligrafia muito personalizada",como adjectivou o Prof. Rocha de Sousa.







" Um artista na continuidade e na renovação"
"Mais de quarenta anos de experiência, aberta a uma sempre livre inspiração pessoal e, ao mesmo tempo, a um apuramento técnico amadurecido, lúcido, intransigente com a sua mesma facilidade, fizeram de Luis Dourdil um dos pintores e desenhadores mais seguros de si mesmo nas artes plásticas de Portugal moderno.
A sua obra foi sempre e é agora mais do que nunca a de uma personalidade forte, exprimindo-se sem influências que possam ser dependências. E é uma obra excepcional em que a força e firmeza, sem necessidade de feitos nem de rebuscamentos dão uma <verdade> de visão de artista que só deve a si próprio".
Mário de Oliveira 









Para o situar a geração de Dourdil, vale a pena lembrar os nomes de alguns pintores portugueses que nasceram nessa década:
 Mário Dionisio, Álvaro Perdigão, Manuel Filipe, Manuel Ribeiro Pavia, Estrela Faria, Augusto Gomes, José de Lemos, Paulo Ferreira,Cândido da Costa Pinto, Magalhães Filho, Guilherme Camarinha, Manuel Lapa, António Dacosta, João Navarro Hogan, Luís Dourdil, Maria Keil, Júlio Resende. Joaquim Rodrigo e José Júlio, nascidos também na mesma década,vieram a revelar-se pintores, mais tarde do que os outros.
É um conjunto de artistas que fazem charneira entre a geração de Botelho, Eloy, Júlio, Alvarez, e a geração de Pomar, Lanhas, Vespeira e Fernando de Azevedo. Vieira da Silva era ainda muito pouco conhecida, por viver fora de  Portugal. 
"O fluir da vida cultural deve ser conhecido se queremos entender alguma coisa da acção dos protagonistas".

Rui Mário Gonçalves










S.N.B.A. 06 de Junho de 1960
-Celestino Alves, Carlos Botelho, B. Tavares, Conceição Silva, Anjos Teixeira, Peres Fernandes, José Júlio, Machado da Luz,
 Luís Dourdil
Sentados -Abel Manta, Abílio Mereles, Pedro Guedes e Frederico George. 




"Diálogos a Carvão"

 Luis Dourdil


O desenho, enquanto primeira manifestação gráfica, estética e da cultura na história da humanidade, é uma das primordiais formas de expressão deixadas pelos vestígios e produtos culturais, contendo importantes revelações da luta do homem em manifestar sua evolução.
 Surge como forma de comunicar, desde a pré história.
Nas cavernas ficaram gravados, por meio de desenhos, os hábitos e experiências dos primitivos “homens das cavernas” que usavam as pinturas rupestres como forma de se expressar e comunicar antes mesmo que se consolidasse uma linguagem verbal.

A linguagem é um instrumento, que nos permite pensar e comunicar o pensamento, estabelecer diálogos com nossos semelhantes e dar sentido a realidade que nos cerca.


É um grande esforço de abstracção, a partir da socialização e da comunicação, na tentativa de fixar, em um suporte físico duradouro, situado fora do seu próprio cérebro, fragmentos de suas percepções e experiências no mundo. 






O acto de desenhar exige poder de decisão. O desenho é revelação.









O desenho é a base, para qualquer produção, seja ela arquitectónica, no design, na engenharia ou na produção artística.








"É necessário abrir os olhos e perceber que as coisas boas estão dentro de nós, onde os sentimentos não precisam de motivos nem os desejos de razão. O importante é aproveitar o momento  e  aprender sua duração, pois a vida está nos olhos de quem saber ver.“

Gabriel García Márquez

Pintura Portuguesa Sec. XX Luis Dourdil




  Há noites 


Há noites que são feitas dos meus braços
E um silêncio comum às violetas.
E há sete luas que são sete traços
De sete noites que nunca foram feitas.

.......

Há noites que nos deixam para trás
Enrolados no nosso desencanto
E cisnes brancos que são só iguais
À mais longínqua onda do teu canto.

Há noites que nos levam para onde
O fantasma de nós fica mais perto;
E é sempre a nossa voz que nos responde
E só o nosso nome estava certo...


Natália Correia





                                        Carvão s/papel 50X70 1968

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Pintura Portuguesa Sec.xx



Registos de uma vida"
(...) Durante os anos cinquenta ,os artistas modernos portugueses concentravam a sua meditação no confronto de duas concepções pictóricas: a figurativa e a abstracta.Havia os radicais ,a favor de uma ou outra concepção, e havia os que procuravam sínteses.
A novidade estava na arte abstracta.Mas os mais velhos e os mais informados não podiam esquecer que os pintores naturalistas eram bastante mais dotados e que o Naturalismo permanecia no gosto dominante da sociedade portuguesa. A vontade de aproveitar o máximo de ambas as concepções,figurativa e abstracta acompanhava a vontade de aproveitar o máximo de todas as artes.
Luís Dourdil foi realizando, lentamente, com segurança uma obra de grande unidade estilística,passando de um realismo minucioso de "Homens de Fogo"(1942) a uma figuração abstractizante.
Rui Mário Gonçalves



Oleo S/tela "Fase das varinas" © All rights reserved


“A arte é geralmente a primeira reveladora das transformações que a humanidade deseja. Não é a política. A boa política é aquela que serve os verdadeiros anseios da Humanidade, e esses verdadeiros anseios são expressos na melhor arte”

Rui Mário Gonçalves









"Dois amantes felizes não têm fim nem morte,
nascem e morrem tanta vez enquanto vivem,
são eternos como é a natureza".

Pablo Neruda







                        Carvão S/papel  de Luis Dourdil70 X 100 " Jovens"1980  colecção particular
                        © All rights reserved

Pintura Portuguesa Sec. xx


As Portas que Abril Abriu

(...) Dizia soldado amigo 
meu camarada e irmão 
este povo está contigo 
nascemos do mesmo chão 
trazemos a mesma chama 
temos a mesma ração 
dormimos na mesma cama 
comendo do mesmo pão. 
Camarada e meu amigo 
soldadinho ou capitão 
este povo está contigo 
a malta dá-te razão.

Foi esta força sem tiros 
de antes quebrar que torcer 
esta ausência de suspiros 
esta fúria de viver 
este mar de vozes livres 
sempre a crescer a crescer 
que das espingardas fez livros 
para aprendermos a ler 
que dos canhões fez enxadas 
para lavrarmos a terra 
e das balas disparadas 
apenas o fim da guerra.

Foi esta força viril
de antes quebrar que torcer
que em vinte e cinco de Abril
fez Portugal renascer" (...)

José Carlos Ary dos Santos






 " Soldado " de Luis Dourdil
 Óleo s/tela 118 x 98 ano 1974 colecção particular © All rights reserved





Pintura Portuguesa Sec.XX - Memórias dos Coruchéus


50 Anos de arte Victor Belém 


Aos meus mestres Jorge Marcel, Almada Negreiros, Júlio Pomar, Luís Dourdil, Lima de Freitas, Regina Alexandre, Rui Filipe, João d’Ávila, Rocha de Sousa, a quem tanto devo.



Agradecimentos
À Helena Garrett e ao Mário Belém
sem os quais este catálogo e a
produção da exposição não teriam
sido possíveis.

E, por fim, aos prefaciadores
dos meus catálogos: Ruis Mário
Gonçalves, José Luís Porfírio,
Cruzeiro Seixas , Eduardo Xavier,
José Jorge Letria, Alberto Pimenta,
Dórdio Guimarães, Ernesto de Sousa,
Madalena Brás Teixeira, Rodrigues
Vaz, Paulo Cardoso, Maria João
Fernandes, e Luisa Abreu Nunes, sem
os quais as minhas obras não teriam
sido tão divulgadas junto do público.
ficha técnica da exposição
câmara municipal de lisboa


Pintura de Victor Belém a José de Almada Negreiros






Pintura Portuguesa Sec. XX



" A pintura é a forma mais de arte mais explicita dos sentimentos e do pulsar duma cidade
Luis Dourdil soube como desenvolver a sua arte, enquanto a convivência e a partilha com os artistas da sua época ia tornando-se essencial na definição e afirmação de um estilo e identidades únicas."
Prof. Dra Maria Calado 





© All rights reserved

DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS DO HOMEM



Ilustrada por trinta artistas portugueses em Novembro de 1986.


Desenho a carvão de Luis Dourdil colecção particular © All rights reserved


Artigo 13º

1- Toda a pessoa tem o direito de livremente circular e escolher a sua residência no interior de um  Estado.
2-Toda a pessoa tem o direito de abandonar o país em que se encontra, incluindo o seu, e o direito de regressar ao seu país.
























sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

 Luis Dourdil  que era um  assíduo leitor dos autores portugueses, muito apreciava a escrita de Vergilio Ferreira, com quem convivia, sendo este por sua vez um interessado em arte, designadamente  por pintura admirava a obra do artista e do facto deu conhecimento público.No seu livro Conta-Corrente 3 (1980 - 1981), ed./Livraria Bertrand.

Vergílio Ferreira 
Romancista e ensaísta português, natural de Melo (Gouveia), nasceu em 1916 e morreu em 1996. Estudou no Seminário do Fundão, licenciou-se em Filologia Clássica na Universidade de Coimbra e exerceu funções docentes no Ensino Secundário. Notabilizou-se no domínio da prosa ficcional, sendo um dos maiores romancistas portugueses deste século. 
Literariamente, começou por ser neo-realista (anos 40), com "Vagão Jota" (1946), "Mudança" (1949), etc. Mas, a partir da publicação de "Manhã Submersa" (1954) e, sobretudo, de "Aparição" (1959), Vergílio Ferreira adere a preocupações de natureza metafísica e existencialista. A sua prosa, que entronca na tradição queirosiana, é uma das mais inovadoras dos ficcionistas deste século. 
O ensaio é outra das grandes vertentes da sua obra que, aliás, acaba por influenciar a sua criação romanesca. Temas como a morte, o mistério, o amor, o sentido do universo, o vazio de valores, a arte, são recorrentes na sua produção literária. Além disto, Vergílio Ferreira deixou-nos vários volumes do diário intitulado "Conta-Corrente". Das suas últimas obras destacam-se: "Espaço do Invisível", "Do Mundo Original" (ensaios), "Para Sempre" (1983), "Até ao Fim" (1997) e "Na tua Face" (1993). Recebeu o Prémio Camões em 1992.




De 1969 a 1992, Vergílio Ferreira manteve um diário pessoal que designou como Conta-Corrente. Nele registou com regularidade o seu quotidiano enquanto homem comum e enquanto escritor. Mas Conta-Corrente não revela apenas aspectos menos conhecidos ou mais íntimos de Vergílio Ferreira - oferece, outrossim, ao leitor a experiência extraordinária de ver o País, o Mundo e uma Época através do olhar de um dos grandes pensadores e prosadores do século XX português.
Conta-Corrente
3
1980 - 1981 


Página 346




página 347






https://pt.wikipedia.org/wiki/Lu%C3%ADs_Dourdil





quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Centro de Arte Manuel Brito

Coleção Manuel de Brito

Esta coleção foi feita ao longo de 40 anos com a disponibilidade económica possível, procurando dignificar sobretudo os artistas portugueses e ajudar a criar a memória de uma época. A Coleção Manuel de Brito está ligada intrinsecamente ao projecto da Galeria 111.
A Galeria 111 iniciou a sua atividade no dia 3 de Fevereiro de 1964. Quando a pequena sala, com as três paredes revestidas de serapilheira e um banco ao longo da montra, anexa à livraria especializada em livros universitários, abriu as portas as suas perspectivas comerciais eram poucas. Sem museus ou centros institucionais dedicados à arte contemporânea, sem mercado e sem espírito de coleccionismo, as galerias de arte simplesmente não tinham razão de existir, ou, se existiam, a sua vida era muito curta.
Neste ano de 1964, a Pop Art apareceu em força na Bienal de Veneza com Robert Rauschenberg, Jim Dine e Claus Oldenberg. Rauschenberg recebeu o grande prémio da Bienal. Em Kassell a Documenta III abriu com o lema Qualidade, não Quantidade. O centro da arte internacional mudara-se de Paris para Nova Iorque.
E o que se fazia em Portugal nestes tempos de tanta agitação? Vivia-se um clima de grande repressão política, com a juventude a partir para as guerras de África. A contestação universitária mantinha-se depois das greves académicas de 1962. A PIDE estava activa e vigilante. A livraria foi visitada pelos seus agentes regularmente desde a sua abertura em 1959 até Abril de 1974.
Na livraria, ainda antes da galeria abrir, já se mostravam as peças da Rosa Ramalho. Na galeria pretendia-se mostrar as obras de artistas jovens que nunca tinham exposto. No primeiro ano expuseram, pela primeira vez, Joaquim Bravo, Álvaro Lapa, António Palolo, Santa Bárbara e António Sena.
Vivia-se num clima de amadorismo, o catálogo era executado em duplicador e impresso em papel de embrulho. Os quadros não se vendiam. Os coleccionadores desta época eram poucos e só compravam artistas de nome feito, não estando interessados nos jovens talentos. Instituições e museus compradores também não havia.
Muito lentamente vai-se construindo um mercado tendo em conta a cumplicidade entre os artistas e a galeria. Como a galeria está situada junto à Cidade Universitária, por ela passaram centenas de alunos de Letras, Direito e Medicina que de simples observadores, com o passar dos anos, se tornaram compradores.
A galeria, sempre ligada à livraria, só vai atingir o estatuto profissional quando Jorge de Brito se torna o maior coleccionador português. A primeira transacção importante foi a venda dos quadros do Grupo do Leão, pertencentes a Francisco Ramos da Costa, então exilado em Paris. A partir daí realizaram-se inúmeras aquisições de obras de arte portuguesa e estrangeira em todo o mundo. Abriram-se as portas do mercado internacional e a galeria passou a ser conhecida.
A galeria deu apoio à Arte Portuguesa no estrangeiro, não só adquirindo e fazendo entrar no país a produção de artistas nacionais radicados no exterior, como ajudando a difundir a sua obra em galerias e editoras internacionais.
Colaborou activamente na divulgação da arte portuguesa cedendo grande número de obras do seu acervo para as mais importantes exposições realizadas em Portugal e no estrangeiro organizadas pelo Ministério da Cultura, Ministério dos Negócios Estrangeiros, Fundação Calouste Gulbenkian, Sociedade Nacional de Belas Artes, Museus e Instituições Culturais.
Entre os fatos mais importantes a aquisição dos frescos de Almada Negreiros que se encontravam em vias de destruição no Cine San Carlos, em Madrid, e de duas enormes pinturas de Vieira da Silva, a partir das quais se fizeram as tapeçarias para a Universidade de Basileia e que agora se encontram no Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian.

                                      Menez, Sem Titulo, 1988.


A partir de 1971 estendeu a sua actividade ao Porto com a fundação da Galeria Zen. Após grandes obras de restauro, reabriu em 1996 com a designação Galeria 111 Porto.
Sempre participou nas principais feiras de Arte, desde a primeira MARCA MADEIRA, em 1987, até à Arte Lisboa de 2006. Em Madrid participou na ARCO desde 1986 e em Paris na FIAC.
Em Macau foram realizadas importantes exposições inicialmente no Museu Luís de Camões a partir de 1981 e depois na galeria de exposições temporárias do Leal Senado – Júlio Pomar, Ana Vidigal, Eduardo Luiz, Paula Rego, Menez, António Dacosta e “Geração XXI”, de 1989 a 2002. Graça Morais expôs em 1990, no Pavilhão do Jardim Lou Lim Ioc, numa iniciativa do Instituto Cultural de Macau. Em Pequim, em 1995, organizou-se a exposição Artistas Portugueses, na Casa do Povo na Cidade Proibida, no âmbito da visita do Presidente Mário Soares à China. Em 2000, realizou-se uma exposição de Júlio Pomar no Centro de Arte Contemporânea de Macau, a convite da Fundação Oriente. Esta exposição foi apresentada também na Galeria Nacional em Pequim, em 2001.
Em Dublin, em 1999, organizou-se a exposição Five Portuguese Women (Menez, Paula Rego, Graça Morais, Ana Vidigal e Fátima Mendonça) na galeria do Guinness Hopstore, quando da visita do Presidente Jorge Sampaio à Irlanda.

 

                                                   Mário Eloy, Amor, 1935


Em Espanha organizou-se, em 1989, a exposição Portugal Hoy – 30 Pintores no Centro Cultural Conde Duque em Madrid. Em 1992, Pintura y Grabado Portugueses Contemporáneos na Universidad Hispano Americana Santa Maria de la Rábida, em Huelva e, em 2000, Diez Artistas Portugueses Contemporáneos – Colección Manuel de Brito no Museo de la Ciudad, em Madrid.
Em 1994, no âmbito de Lisboa - Capital Europeia da Cultura foi organizada a exposição Colecção Manuel de Brito – Imagens da Arte Portuguesa do Século XX no Museu do Chiado. Esta exposição foi posteriormente apresentada em 1995 em Macau, na Galeria do Forum, a convite do Leal Senado, no MASP em São Paulo e no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.



Luis Dourdil  1973

Ao longo dos anos, como sempre existiu uma grande cumplicidade com os artistas, houve sempre a preocupação de guardar as peças mais significativas de cada fase. Assim se foi construindo a colecção. Estão representados praticamente todos os artistas que expuseram na galeria. Destacam-se os núcleos mais significativos de obras dos artistas Eduardo Batarda, António Dacosta, José Escada, Eduardo Luiz, Jorge Martins, Menez, Graça Morais, António Palolo, Costa Pinheiro, Júlio Pomar, Paula Rego, Ana Vidigal e Fátima Mendonça.




                                           Amadeo de Souza Cardoso, O pobre louco, 1915


A coleção abrange obras de 1914 até à actualidade. Começa com dois trabalhos de Amadeo de Sousa-Cardoso, a que se seguem Francis Smith, Eduardo Viana, os baixo-relevos de Almada Negreiros, provenientes do Cine San Carlos de Madrid, António Soares, Jorge Barradas, Milly Possoz, Abel Manta, Carlos Botelho, Máro Eloy, António Pedro, Cândido da Costa Pinto, Mário Dionísio, Mário Henrique Leiria, Carlos Calvet, Maria Helena Vieira da Silva, Dordio Gomes, Augusto Gomes, Joaquim Rodrigo, Luís Dourdil, João Hogan, Vasco Costa, Nadir Afonso, Júlio Resende, Rolando Sá Nogueira, António Charrua, Marcelino Vespeira, Rogério Ribeiro, Bartolomeu dos Santos, Nikias Skapinakis, Eurico Gonçalves, António Quadros, Cruzeiro Seixas, Mário Cesariny, António Areal, João Abel Manta, Lourdes de Castro, João Vieira, René Bértholo, Joaquim Bravo, José Rodrigues, Manuel Baptista, Ângelo de Sousa, Álvaro Lapa, Espiga Pinto, Jorge Pinheiro, Gonçalo Duarte, Henrique Ruivo, Eduardo Nery, José de Guimarães, Noronha da Costa, Victor Fortes, Jacinto Luís, Pedro Avelar, Carlos Carreiro, Fátima Vaz, Guilherme Parente, Fernando Direito, David de Almeida, Lisa Santos Silva, Fernando Calhau, Julião Sarmento, Ruy Leitão, João Penalva, Pedro Cabrita Reis, Pedro Calapez, Xana, Ilda David’, Miguel Rebelo, Urbano, Rui Sanches, José Pedro Croft, Rui Chafes, Miguel Palma, Miguel Telles da Gama, Isabelle Faria, João Leonardo, João Pedro Vale, Joana Salvador, Joana Vasconcelos, João Pedro Vale, João Leonardo e Francisco Vidal.

Luis Dourdil a identidade de um estilo

A arte da amizade.



                                 Carvão s/Papel 100 X70 de 1978 © All rights reserved


«Também os amigos chegam muitas vezes pelo maior dos acasos. (...) 
Às vezes vivemos, anos e anos, sempre com amigos; é uma sorte rara. Outras vezes, dependendo das suas ocupações e das nossas, e do sítio em que eles se encontram e aquele em que nós estamos, vão e vêm, estão presentes às vezes durante semanas, ou meses, ou apenas alguns dias. Mas a amizade verdadeira é uma aquisição duradoura. Mesmo depois de vinte e cinco anos de ausência, abraçamo-nos sem qualquer alteração. 

                    Carvão s/papel 100 X 70 c 1980 "Fase dos jovens" © All rights reserved


Acredito, aliás, que a amizade, como o amor do qual participa, exige quase tanta arte como uma figura de dança bem conseguida. É preciso um grande entusiasmo e uma grande contenção, muitas trocas de palavras e muitos silêncios. E, sobretudo, muito respeito. O sentimento da liberdade do outro, da dignidade do outro, a aceitação, sem ilusões, mas também sem a menor hostilidade ou o mínimo desprezo, de um ser tal como ele é.» 

Marguerite Yourcenar, 
De olhos abertos