quarta-feira, 28 de junho de 2017

Centro de Arte Manuel Brito - CAMB

Colecção Manuel de Brito


O Centro de Arte alberga a Colecção Manuel de Brito. Este riquíssimo acervo, fruto do trabalho, empenho e dedicação de Manuel de Brito e de sua família, constitui um dos mais importantes núcleos da arte portuguesa do século XX, contando já com importantes referências da produção artística mais actual.

Com efeito, este acervo conta com mais de trezentas obras, de alguns dos mais importantes artistas nacionais.


Tendo por base de trabalho as obras protocoladas o Centro tem levado a cabo um programa expositivo assente em núcleos temáticos de carácter temporário que visam dar a conhecer a Colecção partindo de uma abordagem histórica e um programa de actividades conexas de carácter lúdico e educativo no âmbito do projecto de Serviço Educativo e de Animação do CAMB

 Aqui ;http://camb.cm-oeiras.pt/default.aspx?pg=8758d2a6-0c59-43ab-88c8-197297d0d247




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                                                       Luís Dourdil Colecção Manuel Brito


Esta colecção foi feita ao longo de 40 anos com a disponibilidade económica possível, procurando dignificar sobretudo os artistas portugueses e ajudar a criar a memória de uma época. A Colecção Manuel de Brito está ligada intrinsecamente ao projecto da Galeria 111.
A Galeria 111 iniciou a sua actividade no dia 3 de Fevereiro de 1964. Quando a pequena sala, com as três paredes revestidas de serapilheira e um banco ao longo da montra, anexa à livraria especializada em livros universitários, abriu as portas as suas perspectivas comerciais eram poucas. Sem museus ou centros institucionais dedicados à arte contemporânea, sem mercado e sem espírito de coleccionismo, as galerias de arte simplesmente não tinham razão de existir, ou, se existiam, a sua vida era muito curta.
Neste ano de 1964, a Pop Art apareceu em força na Bienal de Veneza com Robert Rauschenberg, Jim Dine e Claus Oldenberg. Rauschenberg recebeu o grande prémio da Bienal. Em Kassell a Documenta III abriu com o lema Qualidade, não Quantidade. O centro da arte internacional mudara-se de Paris para Nova Iorque.
E o que se fazia em Portugal nestes tempos de tanta agitação? Vivia-se um clima de grande repressão política, com a juventude a partir para as guerras de África. A contestação universitária mantinha-se depois das greves académicas de 1962. A PIDE estava activa e vigilante. A livraria foi visitada pelos seus agentes regularmente desde a sua abertura em 1959 até Abril de 1974.
Na livraria, ainda antes da galeria abrir, já se mostravam as peças da Rosa Ramalho. Na galeria pretendia-se mostrar as obras de artistas jovens que nunca tinham exposto. No primeiro ano expuseram, pela primeira vez, Joaquim Bravo, Álvaro Lapa, António Palolo, Santa Bárbara e António Sena.
Vivia-se num clima de amadorismo, o catálogo era executado em duplicador e impresso em papel de embrulho. Os quadros não se vendiam. Os coleccionadores desta época eram poucos e só compravam artistas de nome feito, não estando interessados nos jovens talentos. Instituições e museus compradores também não havia.
Muito lentamente vai-se construindo um mercado tendo em conta a cumplicidade entre os artistas e a galeria. Como a galeria está situada junto à Cidade Universitária, por ela passaram centenas de alunos de Letras, Direito e Medicina que de simples observadores, com o passar dos anos, se tornaram compradores.
A galeria, sempre ligada à livraria, só vai atingir o estatuto profissional quando Jorge de Brito se torna o maior coleccionador português. A primeira transacção importante foi a venda dos quadros do Grupo do Leão, pertencentes a Francisco Ramos da Costa, então exilado em Paris. A partir daí realizaram-se inúmeras aquisições de obras de arte portuguesa e estrangeira em todo o mundo. Abriram-se as portas do mercado internacional e a galeria passou a ser conhecida.
A galeria deu apoio à Arte Portuguesa no estrangeiro, não só adquirindo e fazendo entrar no país a produção de artistas nacionais radicados no exterior, como ajudando a difundir a sua obra em galerias e editoras internacionais.
Colaborou activamente na divulgação da arte portuguesa cedendo grande número de obras do seu acervo para as mais importantes exposições realizadas em Portugal e no estrangeiro organizadas pelo Ministério da Cultura, Ministério dos Negócios Estrangeiros, Fundação Calouste Gulbenkian, Sociedade Nacional de Belas Artes, Museus e Instituições Culturais.
Entre os factos mais importantes a aquisição dos frescos de Almada Negreiros que se encontravam em vias de destruição no Cine San Carlos, em Madrid, e de duas enormes pinturas de Vieira da Silva, a partir das quais se fizeram as tapeçarias para a Universidade de Basileia e que agora se encontram no Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian.
A partir de 1971 estendeu a sua actividade ao Porto com a fundação da Galeria Zen. Após grandes obras de restauro, reabriu em 1996 com a designação Galeria 111 Porto.
Sempre participou nas principais feiras de Arte, desde a primeira MARCA MADEIRA, em 1987, até à Arte Lisboa de 2006. Em Madrid participou na ARCO desde 1986 e em Paris na FIAC.
Em Macau foram realizadas importantes exposições inicialmente no Museu Luís de Camões a partir de 1981 e depois na galeria de exposições temporárias do Leal Senado – Júlio Pomar, Ana Vidigal, Eduardo Luiz, Paula Rego, Menez, António Dacosta e “Geração XXI”, de 1989 a 2002. Graça Morais expôs em 1990, no Pavilhão do Jardim Lou Lim Ioc, numa iniciativa do Instituto Cultural de Macau. Em Pequim, em 1995, organizou-se a exposição Artistas Portugueses, na Casa do Povo na Cidade Proibida, no âmbito da visita do Presidente Mário Soares à China. Em 2000, realizou-se uma exposição de Júlio Pomar no Centro de Arte Contemporânea de Macau, a convite da Fundação Oriente. Esta exposição foi apresentada também na Galeria Nacional em Pequim, em 2001.
Em Dublin, em 1999, organizou-se a exposição Five Portuguese Women (Menez, Paula Rego, Graça Morais, Ana Vidigal e Fátima Mendonça) na galeria do Guinness Hopstore, quando da visita do Presidente Jorge Sampaio à Irlanda.
Em Espanha organizou-se, em 1989, a exposição Portugal Hoy – 30 Pintores no Centro Cultural Conde Duque em Madrid. Em 1992, Pintura y Grabado Portugueses Contemporáneos na Universidad Hispano Americana Santa Maria de la Rábida, em Huelva e, em 2000, Diez Artistas Portugueses Contemporáneos – Colección Manuel de Brito no Museo de la Ciudad, em Madrid.
Em 1994, no âmbito de Lisboa - Capital Europeia da Cultura foi organizada a exposição Colecção Manuel de Brito – Imagens da Arte Portuguesa do Século XX no Museu do Chiado. Esta exposição foi posteriormente apresentada em 1995 em Macau, na Galeria do Forum, a convite do Leal Senado, no MASP em São Paulo e no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.
Ao longo dos anos, como sempre existiu uma grande cumplicidade com os artistas, houve sempre a preocupação de guardar as peças mais significativas de cada fase. Assim se foi construindo a colecção. Estão representados praticamente todos os artistas que expuseram na galeria. Destacam-se os núcleos mais significativos de obras dos artistas Eduardo Batarda, António Dacosta, José Escada, Eduardo Luiz, Jorge Martins, Menez, Graça Morais, António Palolo, Costa Pinheiro, Júlio Pomar, Paula Rego, Ana Vidigal e Fátima Mendonça.



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                               Centro de ArteManuel Brito - CAMB  
Palácio Anjos Algés - Alameda Hermano Patrone, 1495-064 Algés 

 Aqui;   http://111.pt/galeria/

A colecção abrange obras de 1914 até à actualidade. Começa com dois trabalhos de Amadeo de Sousa-Cardoso, a que se seguem Francis Smith, Eduardo Viana, os baixo-relevos de Almada Negreiros, provenientes do Cine San Carlos de Madrid, António Soares, Jorge Barradas, Milly Possoz, Abel Manta, Carlos Botelho, Máro Eloy, António Pedro, Cândido da Costa Pinto, Mário Dionísio, Mário Henrique Leiria, Carlos Calvet, Maria Helena Vieira da Silva, Dordio Gomes, Augusto Gomes, Joaquim Rodrigo, Luís Dourdil, João Hogan, Vasco Costa, Nadir Afonso, Júlio Resende, Rolando Sá Nogueira, António Charrua, Marcelino Vespeira, Rogério Ribeiro, Bartolomeu dos Santos, Nikias Skapinakis, Eurico Gonçalves, António Quadros, Cruzeiro Seixas, Mário Cesariny, António Areal, João Abel Manta, Lourdes de Castro, João Vieira, René Bértholo, Joaquim Bravo, José Rodrigues, Manuel Baptista, Ângelo de Sousa, Álvaro Lapa, Espiga Pinto, Jorge Pinheiro, Gonçalo Duarte, Henrique Ruivo, Eduardo Nery, José de Guimarães, Noronha da Costa, Victor Fortes, Jacinto Luís, Pedro Avelar, Carlos Carreiro, Fátima Vaz, Guilherme Parente, Fernando Direito, David de Almeida, Lisa Santos Silva, Fernando Calhau, Julião Sarmento, Ruy Leitão, João Penalva, Pedro Cabrita Reis, Pedro Calapez, Xana, Ilda David’, Miguel Rebelo, Urbano, Rui Sanches, José Pedro Croft, Rui Chafes, Miguel Palma, Miguel Telles da Gama, Isabelle Faria, João Leonardo, João Pedro Vale, Joana Salvador, Joana Vasconcelos, João Pedro Vale, João Leonardo e Francisco Vidal.


                                                       





                           

quinta-feira, 15 de junho de 2017

O Museu Municipal Amadeo de Souza-Cardoso, instalado no Convento Dominicano de São Gonçalo, foi fundado em 1947, por Albano Sardoeira, visando reunir materiais respeitantes à história local e lembrar artistas e escritores nascidos em Amarante: António Carneiro, Amadeo de Souza-Cardoso, Acácio Lino, Manuel Monterroso, Paulino António Cabral, Teixeira de Pascoaes, Augusto Casimiro, Alfredo Brochado, Ilídio Sardoeira, Agustina Bessa Luís, Alexandre Pinheiro Torres e um observatório de curiosidades à moda oitocentista.

Òleo s/Tela de Luís Dourdil  colecção do 
Museu Municipal Amadeo de Souza-Cardoso

Pretendendo manter a lembrança do seu núcleo inicial e das suas colecções, com maior ênfase para a Arqueologia, a sua principal vocação é, porém, a Arte Portuguesa Moderna e Contemporânea, nomeadamente a pintura e a escultura.

Para além da exposição permanente e visando até suprir algumas das lacunas, o Museu organiza exposições temporárias, temáticas, ou monográficas, que se servem do seu acervo e das coleções oficiais ou mostram obras de artistas em atividade.

O Museu organiza o Prémio Amadeo de Souza-Cardoso, de caráter bienal, abrangendo as várias expressões artísticas e com duas distinções em separado: uma incluída no concurso e outra de consagração (carreira).




Memórias de Exposições Casa da Cerca Almada - 2009


Gravar e Multiplicar - Exposição
A Casa da Cerca – Centro de Arte Contemporânea expõe mais de uma centena de gravuras nacionais e internacionais pertencentes à colecção do Centro de Arte Moderna, da Fundação Calouste Gulbenkian. 

Cobrindo sobretudo os últimos 50 anos do século XX, a exposição pretende mostrar a grande diversidade de técnicas e de possibilidades plásticas da gravura. Com o comissariado científico de António Canau, artista plástico com formação em gravura na Slade School de Londres, a mostra reúne obras de Alice Jorge, Almada Negreiros, Bartolomeu Cid dos Santos, Carlos Botelho, Cipriano Dourado, David de Almeida, Eduardo Nery, Emília Nadal, Escher, Fernand Léger, Fernando Calhau, Henry Matisse, Henry Moore, Horst Antes, Jacek Gaj, Jasper Jacques Villon, João Hogan, John Hoyland, Jorge Martins, Jorge Vieira, Júlio Pomar, Karen Appel, Karl Schmidt-Rottluff, Lourdes de Castro, Luís Dourdil, Man Ray, Maria Beatriz, Maria Gabriel, Mário Botas, Max Ernst, Mily Possoz, Niki de Saint-Phalle, Nikias Skapinakis, Oskar Kokoscha, Otto Müller, Paula Rego, Richard Hamilton, Rogério Ribeiro, Sérgio Pinhão, Sonia Delaunay, Tony Craggs e Vieira da Silva.


Litografia de Luis Dourdil ano de 1984 - Centro de Arte Moderna, da Fundação Calouste Gulbenkian.

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Dourdil - A arte na escola



 O fluir da vida cultural deve ser conhecido se queremos entender alguma coisa da acção dos protagonistas".

Rui Mário Gonçalves

Luís Dourdil_______Arte na Escola: Colégio Valsassina
Colecção particular .© All rights reserved 




Partindo da analise da obra de artistas portugueses como, Graça Morais, Luís Dourdil, Paula Rego, Julião Sarmento, Almada Negreiros entre outros, os alunos do 12º ano na disciplina de Desenho, elaboraram vários registos gráficos de figura humana.
aqui;
http://evtvalsassina.blogspot.pt/2012_10_01_archive.html

Dourdil /Memórias - A arte e a sua obra na decoração de interiores.






Óleo s/tela de Dourdil em contraste com a cómoda francesa numa decoração de Malu Futscher Pereira, Revista Casa & Jardim (Dezembro de 1998).



Link R.T.P.;https://arquivos.rtp.pt/conteudos/malu-futscher-pereira/

Programa dedicado a Malu Futscher-Pereira, decoradora de interiores, incluindo entrevista conduzida por Carlos Veríssimo, e aspectos de casas com mobiliário e peças decorativas utilizadas nos seus trabalhos.




Pintura/pastel de Luís Dourdil sobre uma cómoda francesa, com porcelana Companhia das Indias, decoração de Malu Futscher-Pereira Revista Casa & Jardim (Maio de 1989).

Recordando o Centenário de Luís Dourdil 2014/2015


No ano em que se assinalaram 100 anos sobre o nascimento de Luís Dourdil, a Câmara Municipal de Lisboa e a família do pintor, em colaboração com a Sociedade Nacional de Belas Artes, o Museu da Farmácia e o Café Império, promoveram um programa de actividades em torno da obra de um dos mais emblemáticos artistas portugueses do século XX.  

O programa teve início no dia 08 de Novembro no Café Império às 16h30.  
O mote de partida foi a vida e obra do artista, bem como o recente restauro da pintura mural de 48m2 que cobre uma das paredes do estabelecimento, efectuado sob a coordenação técnica da Câmara Municipal de Lisboa. A vida e obra do artista foi tema de uma tertúlia que contou com a presença de Catarina Vaz Pinto, vereadora da Cultura da CML, de Rocha de Sousa, António Valdemar, Lima de Carvalho, José Luís Ferreira, João Neto e Luís Fernando Dourdil, seguida de uma visita orientada à obra e da inauguração da exposição "Cem Anos de Dourdil". 





O programa que se estendeu até Novembro de 2015 prevê, entre outras iniciativas, tertúlias em cafés e museus, visitas orientadas e extensões da exposição "Cem Anos de Dourdil" na Sociedade Nacional de Belas Sociedade Artes, no Museu da Farmácia, nos Paços do Concelho. Contou com a participação de historiadores, críticos de arte e artistas plásticos cujas intervenções permitiram reflectir sobre a obra de Luís Dourdil e o contexto em que foi produzido. Link:




segunda-feira, 24 de abril de 2017

"Recordando Nicolas de Stael" de Luis Dourdil


"Uma tela não está pintada por estar toda "tintada", está, sim, quando, compositivamente, as formas nela definidas pela cor pelo desenho se harmonizam entre si e exprimem o que o pintor nos quis comunicar".
© All rights reserved

Luís Dourdil




"Recordando Nicolas de Stael" Óleo s/tela de Luís Dourdil
© All rights reserved C/particular



Pintura a óleo de Luís Dourdil - "Bairro da Lata"
© All rights reserved C/particular
"Somos a memória que temos e a responsabilidade que assumimos.
Sem memória não existimos, sem responsabilidade talvez não mereçamos existir."

José Saramago
Cadernos de Lanzarote 1994




sexta-feira, 21 de abril de 2017

Pintura a óleo  de Luís Dourdil
© All rights reserved C/particular

" A sua obra enche-se  progressivamente de silêncios falantes, há nela uma sufocação magoada, a memória das dilacerações, a paisagem privada de som físico e suspensa de uma espécie de tragédia sem nome.
Estilhaçadas, as formas vivem trajectórias incumpridas ,
desfazem-se e refazem-se em câmara lenta, como num filme irreal e, no entanto, comovente de humanidade."
 Rocha de Sousa in DOURDIL Col/Artes e Artistas Imprensa Nacional Casa da Moeda


Pintura a óleo (pormenor) Ano 1963 de Luís Dourdil
© All rights reserved C/particular



"De vez em quando a eternidade sai do teu interior e a contingência substitui-a com o seu pânico. 
São os amigos e conhecidos que vão desaparecendo e deixam um vazio irrespirável.
Não é a sua 'falta' que falta, é o desmentido de que tu não morres."
Vergílio Ferreira






Pintura  (pormenor)  "Fase do Metro" de Luís Dourdil

A projecção dos vultos, a luz o movimento/velocidade através dos vidros da janela.. deu origem a uma "fase" que muito inspirou o pintor.




A identidade de um estilo Luis Dourdil

 (...) Recordar, revisitar, repetir de todos os modos, qualquer forma de aceder ao pintor Luís Dourdil, é favorecer a manutenção da memória e da sua identidade plástica; é promover a continuação de estudos e as mais variadas fruições; é trazer para os grandes públicos e disponibilizar um dos artistas do século XX com obra de relevo; é sobretudo combater a finitude da condição humana, contrapondo pertinente a intemporalidade das suas composições plásticas.
E se essa intemporalidade pode de facto contrariar o esquecimento e o ostracismo, que muitas vezes apanha tão desprevenida, quanto indefesa, a obra criada, será pois na ritualização temporal que podemos contrariar esta e outras circunstâncias, num círculo contínuo de construção e reconstrução da identidade da arte e do património e do seu garante memória.
E, se admitirmos que o fundamento do tempo é essa memória, parece pois ser possível considerar que a exaltámos, cumprindo com a homenagem justa e a divulgação substantiva.

Maria Teresa Bispo 
Licenciada em História pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa; Mestre em Arte, Património e Restauro pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa;


 Pintura de Luis Dourdil colecção particular   © All rights reserved

" Luis Dourdil - A identidade de um estilo"

Óleo de Luis Dourdil colecção particular
© All rights reserved




Ode à Paz


Pela verdade, pelo riso, pela luz, pela beleza, 
Pelas aves que voam no olhar de uma criança, 
Pela limpeza do vento, pelos atos de pureza, 
Pela alegria, pelo vinho, pela música, pela dança, 
Pela branda melodia do rumor dos regatos, 

Pelo fulgor do estio, pelo azul do claro dia, 
Pelas flores que esmaltam os campos, pelo sossego dos pastos, 
Pela exatidão das rosas, pela Sabedoria, 
Pelas pérolas que gotejam dos olhos dos amantes, 
Pelos prodígios que são verdadeiros nos sonhos, 
Pelo amor, pela liberdade, pelas coisas radiantes, 
Pelos aromas maduros de suaves outonos, 
Pela futura manhã dos grandes transparentes, 
Pelas entranhas maternas e fecundas da terra, 
Pelas lágrimas das mães a quem nuvens sangrentas 
Arrebatam os filhos para a torpeza da guerra, 
Eu te conjuro ó paz, eu te invoco ó benigna, 
Ó Santa, ó talismã contra a indústria feroz. 
Com tuas mãos que abatem as bandeiras da ira, 
Com o teu esconjuro da bomba e do algoz, 
Abre as portas da História, 
deixa passar a Vida! 


Natália Correia, 
in "Inéditos (1985/1990)"

domingo, 9 de abril de 2017

AS RELAÇÕES DO NEO-REALISMO COM AS ARTES VISUAIS






Lançamento da revista Nova Síntese nº 10
http://www.belasartes.ulisboa.pt/lancamento-da-revista-nova-sintese aqui; http://www.belasartes.ulisboa.pt/lancamento-da-revista-nova-sintese/

No dia 17 de Fevereiro de 2017 a apresentação da revista "Nova Sintese nº 10 realizou-se no Auditório Lagoa Henriques pelas 18h .Foi apresentada pela Professora Cristina Azevedo Tavares na Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa.



Da representação social em arte ao empenhamento político-artístico: Imagens d’ O Diabo - Luísa Duarte Santos 
Lançamento da revista Nova Síntese nº 10


08 de Abril de 2017
A Câmara Municipal de Vila Franca de Xira/Museu do Neo-Realismo e a Associação Promotora do Museu do Neo-Realismo apresentaram no  dia 8 de abril, pelas 15h00, no Auditório do Museu do Neo-Realismo, o nº10 da Revista Nova Síntese, dedicado às relações do Neo-Realismo com as Artes Visuais.

A sessão contou com as presenças de Vítor Viçoso, Director da Revista e António Pedro Pita, Director Científico do Museu do Neo-Realismo, e teve a apresentação de David Santos, coordenador da parte 1 deste número







 O pintor Luís Dourdil é por nós interpretado à luz de uma aproximação ao neorrealismo, a partir de uma obra de excepção: “Homens do Fogo”.
Luísa Duarte Santos desenvolve uma nova leitura sobre as relações entre a “representação social em arte” e o “empenhamento político-artístico”, a partir das “imagens” publicadas no influente “O Diabo”.





O presente número da revista Nova Síntese é dedicado às relações do neorrealismo com as artes visuais. O tema impõe-se, desde logo, pela natureza específica de uma ligação profícua e complexa (contrariando assim algumas ideias comuns que proliferam ainda na história da arte do nosso país) e que motivou o empenho de muitos dos melhores artistas da terceira geração modernista portuguesa, com expressão desde meados dos anos 40 até ao final da década seguinte. Apesar de a produção de obras de arte inspiradas por alguns princípios estéticos e éticos identificados com o movimento neorrealista ter dominado sobretudo a arte moderna portuguesa no período do imediato pós-guerra, uma poética sensível aos temas sociais, com sentido mais ou menos crítico e reivindicativo, fez o seu caminho ao longo dos anos 50 até se associar, lentamente, a uma opção mais individual de observação e prática em torno de uma nova figuração inspirada já por outras coordenadas, como podemos ler na interpretação proposta por Fernando Rosa Dias, no primeiro e mais extenso ensaio desta edição. Diríamos que, durante pouco mais de quinze anos, o neorrealismo esteve presente no percurso, no imaginário e nos desenvolvimentos da arte portuguesa de um modo que merece não apenas ser reconhecido como reinterpretado, sob a óptica de novas linhas de investigação que contribuam finalmente para desfazer mitos e ideias pouco produtivas sobre a sua importância no panorama artístico do século XX português.(...)
David Santos

quinta-feira, 6 de abril de 2017

1º- Prémio Luis Dourdil Ano 1984 -1985 -Homenagem Dos Artistas Portugueses A Almada Negreiros

Homenagem Dos Artistas Portugueses A Almada Negreiros
Ministério Da Cultura


1º- Prémio Luis Dourdil Ano 1984 -1985 

2º - Armanda Passos 
3º- Justino Alves 
entre 71 obras de grandes e vários artistas portugueses. 

1984 -1985 Tribute Portuguese artists Almada Negreiros 
by the Ministry of Culture 

1st Prize -  Luis Dourdil

2nd Armanda Passos 
3rd Justino Alves 
between 71 works great and various Portuguese artists.
Colecção particular.
© All rights reserved


"Olhar e ver. Subjectividade e objectividade, uma dialéctica no processo criativo."


Dourdil atende à realidade social, transfigurando-a expressivamente, sobretudo quanto às funções sociais dos homens, nomeadamente a do trabalho – ele próprio um ‘operário’ da arte –, reflectida também na longa ‘série’ das Varinas, ou mesmo nos murais que concebe para o Laboratório Sanitas, numa constante que percorre grande parte da primeira fase da sua Obra.

Luísa Duarte Santos
(IHA-FCSH/UNL) 







Pintor interessantíssimo, desfez em meia-dúzia de penadas/pinceladas, como talvez mais ninguém português, a falaciosa dicotomia daquilo a que se convencionou chamar figuração e abstracção, com uma delicadeza tal e uma sensibilidade tão hábil no tratamento da cor cujo efeito conjunto não reflecte, como alguém disse, uma tensão permanente entre esses dois (falsos) pólos e antes um estado superior, aqui mais trabalhado do que intuído, onde eles nem sequer existem. Arte maior, em suma.

LER AQUI:

Dourdil ocupou cargos directivos na Sociedade Nacional de Belas Artes 1957-1963.


Luis Dourdill ano de 1974 colecção particular 
© All rights reserved


Carvão s/papel -1980  
© All rights reserved

domingo, 2 de abril de 2017

A pintura é a forma de arte mais explicita dos sentimentos e do pulsar de uma cidade, de um povo e de uma época.




"Varinas"-Colecção Particular
© All rights reserved

c.1955-56


De mão na anca,

descompõem à freguesa.
Atrás da banca,
chamam-lhe cosma(?) e burguesa.

Mas nessa voz,
como insulto à portuguesa,
há o sal de todos nós,
há ternura e há beleza.

Do alto mar
chega o pregão que se alastra:
têm ondas no andar
quando embalam a canastra.

Minha varina,
chinelas por Lisboa.
Em cada esquina
é o mar que se apregoa.

Nas escadinhas
dás mais cor aos azulejos
quando apregoas sardinhas
que me sabem como beijos.

Os teus pregões
são iguais à claridade:
caldeirada de canções
que se entorna na cidade.

Cordões ao peito,
numa luta que é honrada.
A sogra a jeito
na cabeça levantada.

De perna nua,
com provocante altivez,
descobrindo o mar da rua
que esse, sim, é português.

São as varinas
dos poemas do Cesário
a vender a ferramenta
de que o mar é o operário.

Minha varina,
chinelas por Lisboa.
Em cada esquina
é o mar que se apregoa.

Nas escadinhas
dás mais cor aos azulejos
quando apregoas sardinhas
que me sabem como beijos.

Os teus pregões
nunca mais ganham idade:
versos frescos de Camões
com salada de saudade.




Ary dos Santos





" Nu artístico na obra de Luís Dourdil"



"Na penumbra dos ombros é que tudo começa
quando subitamente só a noite nos vê
E nos abre uma porta nos aponta uma seta

para sermos de novo quem deixámos de ser."

David Mourão- Ferreira, Obra Poética





Carvão s/ papel - Colecção particular.
© All rights reserved 

PINTURA PORTUGUESA SEC. XX


(...) O teorema da pintura de Dourdil, não se resolve sem os recursos aos fragmentos do visível, ao paradoxo da festa, ou da tragédia, jogando também com o pensamento de Braque quando ele dizia que, em arte,o que não se explica é o que verdadeiramente conta
Não andaria o pintor,mesmo sem o saber, longe dos poetas do absurdo,roçando semelhanças inquietantes com a literatura de 
Kafka e de Beckett...
Estas aproximações não são aleatórias,procuram antes levantar o véu de encanto que Dourdil colocava nos seus personagens(...)
Prof. Rocha de Sousa in Pintura Portuguesa Sec.XX.

Pintura a óleo Luís Dourdil

© All rights reserved - Colecção particular

"A solidão não é viver só, a solidão é não sermos capazes de fazer companhia a alguém ou a alguma coisa que está dentro de nós, a solidão não é uma árvore no meio duma planície onde só ela esteja, é a distância entre a seiva profunda e a casca, entre a folha e a raiz."
José Saramago

terça-feira, 21 de março de 2017

CASA DA CERCA /2002/ LUIS DOURDIL/MEMÓRIAS

Casa da Cerca
Centro de Arte Contemporânea Ano de 2002



"Desde a monumentalíssima e tão belamente ritmada composição, executada a têmpera na grande tradição do "fresco", Café Império, 


até as pinturas bem menores ou simples desenhos, 









Dourdil foi ritualizando como uma espécie de "promenade" do espectáculo da vida com seres do acaso,"motards", jovens apaixonados, vagabundos, vultos; 





ou o outro lado da vida, a inteireza de um corpo de peixeira na sua ortogonalidade sensual, diálogos
sussurrados, de vendedeiras de mercado, belas como estátuas...



Nenhum destes corpos perde alguma vez a majestade da atitude,uma espécie de dignidade clássica que confere o respeito à representação. 
É este acerto, raro neste tempo em Portugal -só Almada o conseguiu- que surpreende e dá a toda a obra de Dourdil uma excepcional presença no contexto português".

Fernando Azevedo Março de 2001
In Luis Dourdil-Exp. de Pintura e Desenho:Palácio Galveias





Homenageando o desenhador e pintor Luís Dourdil, a exposição realizada em 2002,  "O Lápis como Instrumento soberano" contou com dois grandes núcleos: um de desenho (Galeria Principal) e outro de pintura (Galeria do Pátio). Pretendeu-se assim dar a ver a relação de complementaridade existente entre as duas linguagens preferenciais do autor, o modo como a pintura se libertava do desenho e o modo como o desenho se assumia como linguagem sintética, reduzindo-se ao essencial, depurando-se em traços quase reduzidos a uma sugestão formal. Além de uma breve antologia, o catálogo conta com textos inéditos de;
Ana Isabel Ribeiro, Ana Ruivo e Rogério Ribeiro. 
Coordenação geral: Ana Isabel Ribeiro.

PINTURA PORTUGUESA SEC.XX

 "A figura humana é o pretexto de todas as composições de Luis Dourdil, de picturalidade serena e sensível, respeitadora da superfície do suporte.
Os espaços cheios e os vazios são tratados com igual cuidado; a cor apresenta-se em planos paralelos ao plano da tela,escalonando-se em profundidade,num rigor visual que a torna mais complexa e melhor adaptada ás inflexões da sua sensibilidade, no jogo subtil de transparências que se equilibra com a procura de luminosidade."
Rui Mário Gonçalves in 100 Pintores Portugueses do Século XX




Óleo S/Tela 100 X 127  Ano - 1986  de Luis Dourdil

 colecção particular© All rights reserved

segunda-feira, 20 de março de 2017

"ARTES PLÁSTICAS"


"Dourdil com a sua escala de neutros, trai o natural pendor
da sua sensibilidade, fina, recolhida, murmurando discretas harmonias, apenas decifráveis a um repetido e alerta olhar.
Há, azuis energéticos, ocres intensos.rosas desmaiados, terras aveludadas e surdas.
Verdes líquidos e brônzeo...o vermelho fácil, estridente e oratório não entra nesta seleccionada gama.
Mas há brancos de inesperada riqueza cromática e descobrem-se aparentes transparências.
Pintura e desenho irmanam-se e equiparam-se.
O artista não obedece a preceitos. Soberba conquista de quem sabe estar sinceramente implantado na Vida e na Arte e, dominando o métier.
Esse comportamento é, um acto ético,como ética tem sido a sua conduta de artista, sem impaciências nem «pressas»..." 

Adriano Gusmão in Ensaios de Arte e Crítica







  "Fase das Varinas"
Óleo de Luis Dourdil colecção particular

© All rights reserved