sábado, 17 de setembro de 2016

HISTÓRIA DA PINTURA DO SÉCULO XX: 22 - Naturalismo e outras tendências em Portugal




Silva Porto - Ceifeiras (1893)
Link:
http://campodaforca.blogspot.pt/2014/12/historia-da-pintura-do-seculo-xx-22.html



PORTUGAL: NATURALISMO E OUTRAS TENDÊNCIAS

Em Portugal, o Naturalismo é o movimento dominante no último terço do séc. XIX e nas duas primeiras décadas do séc. XX, ocupando grande parte do espaço que noutros países é partilhado por vários movimentos. Mesmo depois de implantadas as tendências vanguardistas, continuará a ter uma importância significativa. 
José Malhoa - Bêbados (ou Festejando o S. Martinho), 1907


O Realismo, o Simbolismo e o Impressionismo foram pouco relevantes no panorama da pintura portuguesa, embora tenham influenciado os pintores naturalistas. A Arte Nova teve uma presença notável nas primeiras décadas do séc. XX, sobretudo nas artes aplicadas e decorativas.
O Naturalismo surgiu de forma pacífica.


Columbano Bordalo Pinheiro - Antero de Quental (1889)




Aurélia de Sousa - Mulher a coser 

António Carneiro - A vida (1901)

A última geração de pintores românticos aproximou-se da estética e da temática naturalista, enquanto vários dos seus discípulos viajaram por Itália e França, onde absorveram influências deste movimento.
Em Portugal, o Naturalismo caracteriza-se pelo registo de actividades rurais e domésticas, paisagens, convívios entre familiares e amigos, retratos, procissões religiosas, etc. Alguns pintores praticam também pintura histórica.
Neste movimento, merece especial referência o Grupo do Leão. Dele fizeram parte cerca de duas dezenas de pintores e intelectuais, que promoveram tertúlias e exposições com um impacto considerável no panorama artístico nacional.

Rafael Bordalo Pinheiro - Eça de Queirós (1890)


Pintores referidos na sessão:
 Silva Porto
 José Malhoa
 Columbano Bordalo Pinheiro
 Marques de Oliveira
 António Ramalho
 Henrique Pousão
 João Vaz
 Aurélia de Souza
 Falcão Trigoso
 António Carneiro
 Rafael Bordalo Pinheiro

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

HISTÓRIA DA PINTURA DO SÉCULO XX Tendências Recentes em Portugal

Pedro Chorão - S/título

25 - PORTUGAL: Tendências Recentes

Consideram-se Tendências Recentes as que se manifestam dos anos 60 em diante, correspondendo em grande parte ao período do pós 25 de Abril.

Alguns pintores figurativos dão continuidade a movimentos marcantes nas décadas anteriores, como o Surrealismo, o Gestualismo e o Abstracionismo; outros surgem com figurações sintéticas, sob influências dadaístas ou étnicas.

Na tendência abstracta podemos observar as vertentes geométrica, lírica, matérica e gestual, as últimas influenciadas pelo Informalismo e pelo Expressionismo Abstracto.

Vários dos pintores mais velhos fizeram parte significativa do seu percurso nas décadas anteriores, assim como parte dos pintores do Segundo Modernismo estenderam a sua produção até tempos recentes. Alguns apresentam-se fiéis a uma linha, outros têm abordagens muito eclécticas.

Pintores referidos na sessão:
Lima de Freitas 
António Costa Pinheiro
Júlio Pomar 
Gil Teixeira Lopes
Menez 
Eduardo Nery
Artur Bual 
Álvaro Lapa
Manuel Cargaleiro 
José de Guimarães
António Charrua 
Jorge Martins
Carlos Calvet
 Noronha da Costa
Lourdes Castro 
Luís Pinto-Coelho
Eurico Gonçalves 
Eduardo Batarda
Maluda 
Pedro Chorão
João RodriguesVieira
António Palolo
René Bértholo 
Graça Morais
Paula Rego
Julião Sarmento
Ângelo de Sousa
Vítor Pomar
Armando Alves
 Mário Botas

Jorge Pinheiro






Artur Bual - Natércia Correia



Eduardo Batarda Cena canalha

Paula Rego - A irmã do polícia

Álvaro Lapa -S/título






Gil Teixeira Lopes - Dizer Íntimo



HISTÓRIA DA PINTURA DO SÉCULO XX

24 - Segundo Modernismo em Portugal

O Segundo Modernismo corresponde ao período de apogeu e declínio do regime de Salazar, centrando-se nos anos 40, 50 e 60. Nessas décadas são mais marcantes as influências do Surrealismo, do Neo-Realismo e do Abstraccionismo, sendo também de realçar as do Expressionismo e Gestualismo.
Com a colaboração de grandes arquitectos e escultores, as obras e monumentos públicos ganham uma grande relevância, sobretudo nas áreas do Urbanismo, Arquitectura e Escultura. Contudo, o Estado Novo apresenta um Modernismo contido, de um modo geral limitado a uma estética marcadamente nacionalista e saudosista.
Os pintores trabalham com um grau de liberdade bem maior do que escultores e arquitectos. Assim sendo, vários aproveitam também para expressar críticas ao regime, muitas vezes de forma velada, de modo a contornar a censura. Na ilustração oficial continua a tendência popular, agora de cariz nacionalista e propagandístico; mas uma outra se impõe, assumindo uma estética neorrealista, marcadamente antifascista.

Pintores referidos na sessão:
 António Pedro
António Dacosta
Fernando de Azevedo
Marcelino Vespeira
Cândido Costa Pinto
Cruzeiro Seixas
Manuel Ribeiro de Pavia
Domingos Camarinha
Rogério Ribeiro
Vieira da Silva
João Hogan
Luís Dourdil
Joaquim Rodrigo
Júlio Resende
Nadir Afonso
Fernando Lanhas
Carlos Botelho
Henrique Medina
Maria Keil

Querubim Lapa




Vieira da Silva - O Jogo de Xadrez (1943)



Maria Keil - Painel de Azulejos "O Mar" (1958-59)

Manuel Ribeiro de Pavia - Apanha da Azeitona
Cruzeiro Seixas - A Chávena com Asa por Dentro (2001)

Júlio Resende - Homem a Cavalo (1950)
Luis Dourdil -Fase dos jovens

HSTÓRIA DA PINTURA DO SÉCULO XX

 23 - Primeiro Modernismo em Portugal

PORTUGAL: PRIMEIRO MODERNISMO

Designa-se por Primeiro Modernismo as tendências vanguardistas das décadas de 10, 20 e 30 do séc. XX. Esse período corresponde à Primeira República e à implantação do regime do Estado Novo que, no início, se apresentou permeável aos ventos da modernidade.
O movimento mais decisivo na introdução do Modernismo em Portugal foi o Futurismo, sendo também relevantes o Cubismo e o Expressionismo, A ida de pintores para Paris, nos primeiros anos do séc. XX, é decisiva para a implantação do Modernismo em Portugal. Desse grupo de pioneiros destacam-se Amadeo de Sousa Cardoso, Santa Rita e Eduardo Viana.
A caricatura e a ilustração de livros, jornais e revistas marcam uma presença importante, revelando duas tendências: uma que se cola a uma estética de contornos populares; outra marcadamente influenciada pela Art Deco.

Pintores referidos na sessão:

 Amadeo de Sousa Cardoso

 Guilherme de Santa Rita

 Eduardo Viana

 Dórdio Gomes

 José de Almada Negreiros

Abel Manta

 Júlio Reis Pereira

 Mário Eloy

 Stuart Carvalhais

 Jorge Barradas

 Emmérico Nunes

 Bernardo Marques







Guilherme de Santa Rita - Cabeça (c.1910)









LINK:_____________
http://campodaforca.blogspot.pt/2014/12/historia-da-pintura-do-seculo-xx-23.html


Eduardo Viana - K4, Quadrado azul (1916)

Dórdio Gomes - Banhistas no Douro (1928)

Ilustração, uma arte narrativa - LUIS DOURDIL


Uma ilustração é uma imagem pictórica, geralmente figurativa (representando algo material), embora algumas raras vezes também abstracta, utilizada para acompanhar, explicar, acrescentar informação, sintetizar ou até simplesmente decorar um texto. Embora o termo seja usado frequentemente para se referir a desenhos, pinturas ou colagens, uma fotografia também é uma ilustração. Além disso, a ilustração é um dos elementos mais importantes do design gráfico. 













Ilustrações de Luís Dourdil tinta da china ano de 1949 
"Uma Caçada Medieval"
conto de Eurico de Pimentel Teixeira -Revista Turismo nº 86 Outubro e Novembro de 1949.

segunda-feira, 12 de setembro de 2016



Luis Dourdi nasceu em Coimbra. Autodidacta viajou por Espanha França e  Itália como bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian, onde estudou "Pintura dos Mestres Italianos e a sua integração na arquitectura"
Paralelamente ao seu trabalho como artista gráfico , foi realizando lentamente uma obra de grande unidade estilística, passando do realismo minucioso de "Homens do Fogo"(1942) 


a uma figuração abstractizante característica  da pesquisa dominante entre pintores modernos portugueses dos anos 50.

O seu quadro "Peixeira sentada"  é uma das suas obras mais conhecidas, assim como as pinturas murais do Café Império.
Durante os 40 e 50, portanto, Dourdil representa figuras populares em composições que devem muito às teorias de André Lhote e ao exemplo de Jacques Villon, com a sua pintura de planos transparentes.Mas a estes pintores deve acrescentar-se a emoção provocada pela obra do escultor Henry Moore, com o seu testemunho da grandeza humana e o seu sentido de monumentalidade.A figura humana é o pretexto de todas as composições de Luis Dourdil, de picturalidade serena e sensível, respeitadora da superfície e do suporte. Os espaços cheios e os vazios são tratados com igual cuidado ; a cor apresenta-se em planos paralelos ao plano da tela, escalonando-se em profundidade, num rigor de organização visual que a torna mais complexa e melhor adaptada às inflexões da sua sensibilidade, no jogo subtil de transparências que se equilibra com a procura de luminosidade.
Em 1963, uma pintura decorativa constitui uma declarada homenagem a Jaques Villon:" Operação Cirurgica

é talvez a pintura mais geometrizada e de cromatismo mais violento.Mas essa sentida homenagem constituiu também uma despedida, passando Dourdil a praticar um desenho menos predeterminado.

Óleo s/tela 119 X 118 - do ano de 1966 da Colecção de arte do Grupo Totta.
© Todos os direitos reservados
Óleo s/tela 115 X 145 do ano de 1966 da Colecção de arte do Grupo Totta.
© Todos os direitos reservados

Pinturas e texto de Rui Mário Gonçalves in "Os Edifícios a Colecção Os Artistas Grupo Totta ano de 2002

Óleo s/tela 115 X 145 do ano de 1966 da Colecção de arte do Grupo Totta.
© Todos os direitos reservados

Linhas sensíveis revelam o diálogo entre a mão e o olhar do pintor, na construção de um espaço que é sempre entendido através da sugestão da figura humana, em desenhos que valem por si mesmos, ou em pinturas de harmónicos valores luminosos."
Gonçalves Rui Mário em 100 PINTORES PORTUGUESES DO SEC. XX Edições Alfa Lisboa 1986


sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Pintura "Fase do Metro" de Luís Dourdil



A projecção dos vultos, a luz o movimento/velocidade através dos vidros da janela.. deu origem a uma "fase" que muito inspirou o pintor.



«...Muitas vezes, à medida do quotidiano que nos cabe, presos nas carruagens urbanas, olhando a multidão através dos vidros, o que vemos são eventualmente fantasmas assim, o desembarque de homens sem cabeça no cais de um outro dia, os instantes incompletos feitos de coisas indecifráveis, as mutilações ilegíveis após combates para liberdades que não sabemos.
Cinzentos ou não, os quadros deste mestre que se ensinou a si mesmo, olhando as criaturas e os próprios dedos  arrumando a óleo as roupas talvez sujas de uma miséria talvez anterior, são gritos mutilados ainda por estudar.





Depois da passagem atroadora dos comboios suburbanos.




O que importa, já no tempo em que o pintor alegrava as telas com belos corpos desengonçados e revestidos de outros trajes, ensaio indisciplinado e belo de uma nova primavera, é que o fim ainda emerge de coisas contrárias mas conotáveis, a relva da última mancha, os velhos fantasmas, abstractos, afinal incómodos na sua abertura – e sem cabeça. 



Na sua fase terminal, riscando com pincéis rasteiros, 
Dourdil, sem renunciar ao seu método e ao seu modo de formar, voltava a encontrar as cabeças dos seus jovens dormindo, porque eles usavam todos capacetes de mota. Tudo cicatrizara em azuis e tons de flor.




Excerto de um texto de Rocha de Sousa (por ocasião das celebrações do centenário do Pintor Luís Dourdil)

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

"LUIS DOURDIL E A FIGURA COMO MOTIVO" por Cristina Azevedo Tavares

Luis Dourdil  é senhor de uma obra coerente ancorada num desenho ordenado de linha continua e fragmentada de cor urdida em paletas que ora do vermelho e amarelo, se fundem depois nas cores surdas dos cinzas e azuis negros. 



Seja pintura, desenho a carvão ou pastel, independentemente da escala, pintura de cavalete ou mural, é uma obra que integra a figura humana como motivo de eleição.

A geometria da figura não corresponde de todo as figuras geométricas.






 Bem pelo contrário agencia aquela liberdade que aspira à quebra  da linha, à interrupção do desenho à ausência de terminar a linha de contorno, aflorando uma tendência para o abstracto.





Aflorando tal não significa que Dourdil se remeta para esse universo, mas a fluidez da linha, o desprendimento das formas acabam por viabilizar essa proposta de entendimento.
Mais a figura e a condição humanas encontram-se associadas.





Primeiro na representação das figuras populares enquanto motivo  plástico. As mulheres na simplicidade das suas tarefas, as vendedeiras, peixeiras, leiteiras: uma com uma braçada de limões, enquanto outra mostra o peixe, ou sentada numa pausa, ou simplesmente paradas num momento para conversar trazendo o filho ao colo.




Lenços na cabeça ou carrapito, aventais presos à cintura, os corpos 
bem delineados e geométricos definindo-se em planos e volumes de cor, robustos em linhas verticais bem definidas.








Corpos que enchem a superfície da tela do papel ou da parede.
Corpos monumentais que nos remetem para a pintura italiana de
Giotto a Massacio, onde o cubismo pós-guerra se cruza delicadamente.






Assim poderemos invocar a obra de Dourdil entre finais dos anos quarenta e cinquenta do Século XX.



Outros temas como pescadores e barcos (Olhão) assim como as varinas, são também trabalhadas por Dourdil, não apenas como motivo plástico, mas ainda na dimensão da condição humana que enraízava na consciência sócio-politica que o neorrealismo  presente nas Gerais de Artes Plásticas (1946-1956, S.N.B.A.)      integrava. 











De facto, a passagem de Dourdil pelas Gerais, ainda em quarenta, confirma esta propensão partilhada por tantos artistas plásticos durante as duas décadas em referencia.







Texto : "LUIS DOURDIL E A FIGURA COMO MOTIVO"
 ( excerto) de CRISTINA AZEVEDO TAVARES ( Presidente da Direcção  da Sociedade Nacional de Belas Artes) in 
"A Pintura Antes de Tudo"  - Catálogo Comemorativo do  Nascimento do pintor. 2014 /2015