quinta-feira, 15 de setembro de 2016

HSTÓRIA DA PINTURA DO SÉCULO XX

 23 - Primeiro Modernismo em Portugal

PORTUGAL: PRIMEIRO MODERNISMO

Designa-se por Primeiro Modernismo as tendências vanguardistas das décadas de 10, 20 e 30 do séc. XX. Esse período corresponde à Primeira República e à implantação do regime do Estado Novo que, no início, se apresentou permeável aos ventos da modernidade.
O movimento mais decisivo na introdução do Modernismo em Portugal foi o Futurismo, sendo também relevantes o Cubismo e o Expressionismo, A ida de pintores para Paris, nos primeiros anos do séc. XX, é decisiva para a implantação do Modernismo em Portugal. Desse grupo de pioneiros destacam-se Amadeo de Sousa Cardoso, Santa Rita e Eduardo Viana.
A caricatura e a ilustração de livros, jornais e revistas marcam uma presença importante, revelando duas tendências: uma que se cola a uma estética de contornos populares; outra marcadamente influenciada pela Art Deco.

Pintores referidos na sessão:

 Amadeo de Sousa Cardoso

 Guilherme de Santa Rita

 Eduardo Viana

 Dórdio Gomes

 José de Almada Negreiros

Abel Manta

 Júlio Reis Pereira

 Mário Eloy

 Stuart Carvalhais

 Jorge Barradas

 Emmérico Nunes

 Bernardo Marques







Guilherme de Santa Rita - Cabeça (c.1910)









LINK:_____________
http://campodaforca.blogspot.pt/2014/12/historia-da-pintura-do-seculo-xx-23.html


Eduardo Viana - K4, Quadrado azul (1916)

Dórdio Gomes - Banhistas no Douro (1928)

Ilustração, uma arte narrativa - LUIS DOURDIL


Uma ilustração é uma imagem pictórica, geralmente figurativa (representando algo material), embora algumas raras vezes também abstracta, utilizada para acompanhar, explicar, acrescentar informação, sintetizar ou até simplesmente decorar um texto. Embora o termo seja usado frequentemente para se referir a desenhos, pinturas ou colagens, uma fotografia também é uma ilustração. Além disso, a ilustração é um dos elementos mais importantes do design gráfico. 













Ilustrações de Luís Dourdil tinta da china ano de 1949 
"Uma Caçada Medieval"
conto de Eurico de Pimentel Teixeira -Revista Turismo nº 86 Outubro e Novembro de 1949.

segunda-feira, 12 de setembro de 2016



Luis Dourdi nasceu em Coimbra. Autodidacta viajou por Espanha França e  Itália como bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian, onde estudou "Pintura dos Mestres Italianos e a sua integração na arquitectura"
Paralelamente ao seu trabalho como artista gráfico , foi realizando lentamente uma obra de grande unidade estilística, passando do realismo minucioso de "Homens do Fogo"(1942) 


a uma figuração abstractizante característica  da pesquisa dominante entre pintores modernos portugueses dos anos 50.

O seu quadro "Peixeira sentada"  é uma das suas obras mais conhecidas, assim como as pinturas murais do Café Império.
Durante os 40 e 50, portanto, Dourdil representa figuras populares em composições que devem muito às teorias de André Lhote e ao exemplo de Jacques Villon, com a sua pintura de planos transparentes.Mas a estes pintores deve acrescentar-se a emoção provocada pela obra do escultor Henry Moore, com o seu testemunho da grandeza humana e o seu sentido de monumentalidade.A figura humana é o pretexto de todas as composições de Luis Dourdil, de picturalidade serena e sensível, respeitadora da superfície e do suporte. Os espaços cheios e os vazios são tratados com igual cuidado ; a cor apresenta-se em planos paralelos ao plano da tela, escalonando-se em profundidade, num rigor de organização visual que a torna mais complexa e melhor adaptada às inflexões da sua sensibilidade, no jogo subtil de transparências que se equilibra com a procura de luminosidade.
Em 1963, uma pintura decorativa constitui uma declarada homenagem a Jaques Villon:" Operação Cirurgica

é talvez a pintura mais geometrizada e de cromatismo mais violento.Mas essa sentida homenagem constituiu também uma despedida, passando Dourdil a praticar um desenho menos predeterminado.

Óleo s/tela 119 X 118 - do ano de 1966 da Colecção de arte do Grupo Totta.
© Todos os direitos reservados
Óleo s/tela 115 X 145 do ano de 1966 da Colecção de arte do Grupo Totta.
© Todos os direitos reservados

Pinturas e texto de Rui Mário Gonçalves in "Os Edifícios a Colecção Os Artistas Grupo Totta ano de 2002

Óleo s/tela 115 X 145 do ano de 1966 da Colecção de arte do Grupo Totta.
© Todos os direitos reservados

Linhas sensíveis revelam o diálogo entre a mão e o olhar do pintor, na construção de um espaço que é sempre entendido através da sugestão da figura humana, em desenhos que valem por si mesmos, ou em pinturas de harmónicos valores luminosos."
Gonçalves Rui Mário em 100 PINTORES PORTUGUESES DO SEC. XX Edições Alfa Lisboa 1986


sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Pintura "Fase do Metro" de Luís Dourdil



A projecção dos vultos, a luz o movimento/velocidade através dos vidros da janela.. deu origem a uma "fase" que muito inspirou o pintor.



«...Muitas vezes, à medida do quotidiano que nos cabe, presos nas carruagens urbanas, olhando a multidão através dos vidros, o que vemos são eventualmente fantasmas assim, o desembarque de homens sem cabeça no cais de um outro dia, os instantes incompletos feitos de coisas indecifráveis, as mutilações ilegíveis após combates para liberdades que não sabemos.
Cinzentos ou não, os quadros deste mestre que se ensinou a si mesmo, olhando as criaturas e os próprios dedos  arrumando a óleo as roupas talvez sujas de uma miséria talvez anterior, são gritos mutilados ainda por estudar.





Depois da passagem atroadora dos comboios suburbanos.




O que importa, já no tempo em que o pintor alegrava as telas com belos corpos desengonçados e revestidos de outros trajes, ensaio indisciplinado e belo de uma nova primavera, é que o fim ainda emerge de coisas contrárias mas conotáveis, a relva da última mancha, os velhos fantasmas, abstractos, afinal incómodos na sua abertura – e sem cabeça. 



Na sua fase terminal, riscando com pincéis rasteiros, 
Dourdil, sem renunciar ao seu método e ao seu modo de formar, voltava a encontrar as cabeças dos seus jovens dormindo, porque eles usavam todos capacetes de mota. Tudo cicatrizara em azuis e tons de flor.




Excerto de um texto de Rocha de Sousa (por ocasião das celebrações do centenário do Pintor Luís Dourdil)

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

"LUIS DOURDIL E A FIGURA COMO MOTIVO" por Cristina Azevedo Tavares

Luis Dourdil  é senhor de uma obra coerente ancorada num desenho ordenado de linha continua e fragmentada de cor urdida em paletas que ora do vermelho e amarelo, se fundem depois nas cores surdas dos cinzas e azuis negros. 



Seja pintura, desenho a carvão ou pastel, independentemente da escala, pintura de cavalete ou mural, é uma obra que integra a figura humana como motivo de eleição.

A geometria da figura não corresponde de todo as figuras geométricas.






 Bem pelo contrário agencia aquela liberdade que aspira à quebra  da linha, à interrupção do desenho à ausência de terminar a linha de contorno, aflorando uma tendência para o abstracto.





Aflorando tal não significa que Dourdil se remeta para esse universo, mas a fluidez da linha, o desprendimento das formas acabam por viabilizar essa proposta de entendimento.
Mais a figura e a condição humanas encontram-se associadas.





Primeiro na representação das figuras populares enquanto motivo  plástico. As mulheres na simplicidade das suas tarefas, as vendedeiras, peixeiras, leiteiras: uma com uma braçada de limões, enquanto outra mostra o peixe, ou sentada numa pausa, ou simplesmente paradas num momento para conversar trazendo o filho ao colo.




Lenços na cabeça ou carrapito, aventais presos à cintura, os corpos 
bem delineados e geométricos definindo-se em planos e volumes de cor, robustos em linhas verticais bem definidas.








Corpos que enchem a superfície da tela do papel ou da parede.
Corpos monumentais que nos remetem para a pintura italiana de
Giotto a Massacio, onde o cubismo pós-guerra se cruza delicadamente.






Assim poderemos invocar a obra de Dourdil entre finais dos anos quarenta e cinquenta do Século XX.



Outros temas como pescadores e barcos (Olhão) assim como as varinas, são também trabalhadas por Dourdil, não apenas como motivo plástico, mas ainda na dimensão da condição humana que enraízava na consciência sócio-politica que o neorrealismo  presente nas Gerais de Artes Plásticas (1946-1956, S.N.B.A.)      integrava. 











De facto, a passagem de Dourdil pelas Gerais, ainda em quarenta, confirma esta propensão partilhada por tantos artistas plásticos durante as duas décadas em referencia.







Texto : "LUIS DOURDIL E A FIGURA COMO MOTIVO"
 ( excerto) de CRISTINA AZEVEDO TAVARES ( Presidente da Direcção  da Sociedade Nacional de Belas Artes) in 
"A Pintura Antes de Tudo"  - Catálogo Comemorativo do  Nascimento do pintor. 2014 /2015

Varinas de Lisboa - Memórias da Cidade no trajecto plástico de Luis Dourdil

Foi no século XIX que começaram os primeiros movimentos migratórios rumo a Lisboa, com o objectivo de encontrarem melhores condições de vida e oportunidades de emprego. As varinas, tradicionalmente conhecidas como “mulheres do peixe”, instalaram-se nos bairros típicos de Lisboa – Alfama, Bica e, sobretudo Madragoa – junto às ribeirinhas ricas em sardinha e sável.


Dourdil visitava com assiduidade a lota Ribeira onde desenhava estas figuras icónicas de Lisboa que 
imortalizou nas suas obras.

 Um dos temas mais abordados pelo pintor nos anos 40 e 50 foram os Bairros lisboetas, trabalhadores, gente anónima do meio urbano na sua azafama.
Crayon S/ Papel 80 X 57" Varinas de Lisboa" de Luís Dourdil Colecção C.M.L.




De pé descalço e canastra à cabeça: Olha a bela da sardinha!


Ao longo da exposição, o retrato destas personagens é feito através do fado, de fotografias, trajes, pinturas, esculturas, literatura, artigos de imprensa, postais e testemunhos na primeira pessoa, que são apresentados em vídeo. Num deles, uma antiga varina, senhora de cabelo branco, óculos e blusa preta conta como “não podia andar descalça e todos os dias ia parar à esquadra”. Isto porque, e como explica um texto gravado na parede, a partir de 1928 foi criada uma lei que obrigava tanto varinas como varinos a andarem calçados por questões de higiene. No entanto, a maioria fugia à lei, pois não achava prático trabalhar com água pelos joelhos e, ao mesmo tempo, estar de chinelo no pé.

As varinas eram mães, mulheres trabalhadoras, resistentes e praticamente indomáveis. Nos anos 80 a 90 acabaram por desaparecer, passando das ruas para as bancas dos mercados, mas são ainda recordadas como símbolo e ícone da cidade de Lisboa. Com a evolução das tecnologias de congelação e refrigeração do pescado, a abertura das grandes superfícies comerciais e o melhoramento nos serviços de distribuição, tornou-se difícil resistir. Na altura, a maior parte delas virou-se para a costura ou para as limpezas.

Apesar da “extinção”, a figura da varina prevalece cristalizada, principalmente graças às marchas populares. Na arte, e como mostra a selecção apresentada pelo Museu de Lisboa, foram a inspiração para diversos autores, como;
 Almada Negreiros, João Abel Manta, Luís Dourdil, Alice Jorge, Stuart Carvalhais ou Jorge Barrada
Aliás, mesmo o físico Albert Einstein admitiu ficar impressionado com estas mulheres, como o descreveu no diário onde relatou a sua viagem por Lisboa.

Maria Beatriz Raposo
Varinas na lota, Lisboa 1912. Negativo de gelatina e prata sobre vidro. Fotógrafo, Joshua Benoliel - Arquivo Municipal de Lisboa




"Eram de longe.

Eram de longe.
Do mar traziam
o que é do mar: doçura
e ardor nos olhos fatigados."
Eugénio de Andrade 





Lisboa 
Esta névoa sobre a cidade, o rio,as gaivotas doutros dias, barcos, gente apressada ou com o tempo todo para perder,esta névoa onde começa a luz de Lisboa,rosa e limão sobre o Tejo, esta luz de água,nada mais quero de degrau em degrau.


Eugénio de Andrade






" VARINAS" Óleo de Luis Dourdil de 1952





Os bairros de Lisboa são objecto da sua pintura que se prende às sombras, aos grupos de trabalho ou à deambulação desempregada, nunca se fixa no recorte pitoresco. O mundo dos humanos constitui o seu apelo.

Nos anos 40, visita várias cidades da Europa e a sua visão emerge, plena de síntese, de acordo coma sua própria concepção plástica.

Nos anos 50, época da maturidade, o pintor capta, definitivamente, os alicerces estruturais e estéticos do seu edifício plástico.





terça-feira, 30 de agosto de 2016

Luís Dourdil e Olinda Dourdil retratados pelo pintor Manuel Lima


 Manuel Lima nasceu a 10 de Junho de 1910 e dedicou a sua vida à Pintura, área em que recebeu honrosos prémios e contribuiu para o património artístico nacional. Faleceu em 1991 e deixou um espólio brilhante.Tal como Luis Dourdil tinha atelier nos Coruchéus em Lisboa.



Arte Portuguesa Sec XX


Aldeia Ruiva-Isna de S.Carlos Beira Baixa.
Óleo s/Tela de Luís Dourdil ano 1939
© All rights reserved


"Em cada um de nós há um segredo, 
uma paisagem interior com planícies invioláveis, 
vales de silêncio e paraísos secretos. "
Saint Exupéry

Isna de S. Carlos Beira Baixa, carvão de Luis Dourdil c.1930.
A Isna de S. Carlos na Beira Baixa era a terra natal de Olinda Dourdil. Nas férias o pintor refugiava-se naquela pequena aldeia e lá pintou algumas das suas obras.




segunda-feira, 8 de agosto de 2016

DO GESTO AO TRAÇO E DO FIGURATIVO AO ABSTRACTO - LUIS DOURDIL

"Nunca fui um paisagista. Parti sempre da forma real, mas só me interessei de facto pela figura humana. parece que apenas nela encontro a beleza e a tragédia ou as partes articuláveis de uma nova ordem, um dinamismo interno - a pintura antes de tudo."


Luís Dourdil 

É na adolescência que Dourdil inicia o seu trajecto plástico,sobretudo no desenho.






"O seu desenho tem uma leveza e,ao mesmo tempo uma força que marcam a personalidade do artista"

Ver aqui video;
http://slide.ly/gallery/view/c1fc368b7fbc669101a1a805cfb1d2ed