domingo, 2 de outubro de 2011

Exposição de Pintura e Desenho Galeria 111 Setembro/1991 Óleo s/tela 92x125

"Dourdil era um homem brando,contido e calmo que na sua humildade e modéstia escondia uma profunda ternura.Autodidacta sem que dessa circunstância jamais se pavoneasse.As suas obras expressam com extraordinária originalidade o panorama pictórico nacional.A expressão serena dos seus desenhos e óleos nunca se afastou totalmente de uma figuração tratada com linhas ou tons vibrantes que,paradoxalmente nasciam de um traço leve e da utilização de cores neutras." - António Pedro Vicente in Catálogo da Exposição Luis Dourdil Pintura e Desenho,Galeria 111, Set.1991Ver mais

Exposição de Pintura e Desenho de Luis Dourdil - Óleo s/Tela de 1984 - 130x120 Palácio Galveias-2001

"Luis Dourdil,discreto e organizado,pintou (superiormente) como viveu,inteiro,com coerência,numa espécie de modéstia ao mesmo tempo perplexa e empolgada,sentido por dentro as suas referências culturais,auto-aprendizagem,o correr da História.Entrar no seu atelier do Coruchéus era descobrir-lhe a ordem,a serenidade do lento e longo diálogo com as aparências.os materiais e as matérias da pintura,o equilíbrio de um profissionalismo conquistado em muitos anos de pesquisa gráfica.É preciso reafirmar que Luis Dourdil é um dos principais autores da pintura moderna portuguesa e que a justiça de que porventura beneficia agora chegou tarde e mal dimensionada no confronto com personalidades,suas contemporâneas, de idêntico valor.Isso pode dever-se em parte,ao modo de ser do artista,à sua modéstia,mas deve-se também,e sobretudo,à incapacidade dos nossos analistas para escapar a este fenómeno provinciano(de mimetismo complexado) que os reduz aos padrões consumíveis da moda e os impede de assumir,com isenção científica,critérios históricos e estéticos,o estudo plural de modos de formar que se distinguam,em exemplar qualidade,daquele tipo de referências.
Dourdil não foi um autor de circunstância.Não teve nunca de se submeter o mundo das suas formas e da sua ecrita aos postulados efémeros da exterioridade consumista.Não teve porque acreditava no valor intrínseco das suas descobertas e conferia maior importância ao trajecto lento mas sincero,e essa interioridade que sempre sobrepôs." - Rocha de Sousa in Artes Plásticas,nº1 Jul.1990

Pintura / Desenho Exposição de Luis Dourdil na Galeria 111- Setembro de 1991

" Conheci o pintor Luis Dourdil há mais de quarenta anos quando,já relacionado com assuntos de arte embora longe de vir a ser exclusivamente profissional nesta área,lhe fiz uma encomenda de carácter gráfico.A partir daí nasceu uma amizade,consolidada ao longo dos anos.A presente exposição tem para mim uma intenção e um significado que ultrapassa a minha normal actividade de galerista.Dourdil foi um dos melhores pintores portugueses da sua geração.um grande artista e homem, de quem me orgulho de ter sido amigo."- Manuel de Brito in Catálogo da Galeria 111-Luis Dourdil Pintura E Desenho/Setembro de 1991.
"Apesar da sua personalidade discreta,Luis Dourdil não deixou de exercer um continuado protagonismo na estagnada cena artistica nacional da primeira metade do século,sendo mesmo um dos principais nomes que,vindos dos anos 30,conseguiram projectar com sentido de sobrevivência a sua obra nas décadas seguintes...
Dourdil elege os temas que servirão para dar continuidade a um trabalho feito com a convicção de quem descobrira a força da autenticidade e a prevalência de valores como a coerência.Na constância do seu trabalho são observáveis transformações que não representam mais que o normal fluir de uma linguagem.Grupos humanos surpreendidos nos transportes públicos,no limiar de uma viagem que nunca acaba,porque todos os dias recomeça.Jovens ociosos,envolvendo-se em abraços que parecem fundir os corpos...
Dourdil conquistara a serenidade dos espiritos livres.Era finalmente um Mestre."- António Bacalhau in Catálogo da Galeria 111-Luis Dourdil Pintura E Desenho/ Setembro de 1991.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Ao Luis Dourdil quando da sua Exposição Retrospectiva na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa-ESBAL

DO TEU ÁLBUM DE LEMBRANÇAS
DO TEU FICHEIRO DE IMAGENS
DO TEU SECRETO COFRE
                                 DE MEMÓRIAS
       DOURDIL,NERVOSA E
                         REFLECTIDAMENTE
QUEBRA O SILÊNCIO

TRAZES UMA MÃO CHEIA
DE LUZ SOMBRIA
      LARANJA PRATEADA
      DE RUMORES CORPOS
      SENSUAMENTE DECEPADOS
      (CORPOS SÓ ANCAS)
                      NUVENS DE
                      MADRUGADA
      PRESAS NO MOVIMENTO
                    ABANDONADO
      DOS BOTES DAS FRAGATAS
                             DAS TRAINEIRAS
       CORPOS DE SOL
       CORPOS DE SAL

A PINTURA DOS AVENTAIS
                      DAS BLUSAS
                      DAS SAIAS
                      DOS LENÇOS
                      DAS PEÚGAS
                                    DE ALGODÃO
DOS OLEADOS DAS CANASTRAS
DOS GRITOS
              DOS SEGREDOS
                            E DOS BEIJOS
DO NASCER DO CRESCER E DO MORRER

A ALFAMA ONDE MORAM
AS TUAS VARINAS
                  PEIXEIRAS
                           COMO TU DIZES
SÃO ELAS PRÓPRIAS
FEITAS DE BAIRRO
                     ALICERCE MOVENTE
ARQUITECTURA SEM PAREDES
PORTAS E JANELAS DE TERNURA.

AS TUAS SENHORAS NUAS
                 DE SENTIMENTOS
VESTIDAS DE HUMANIDADE
                    DE GESTOS
                    VERDADEIROS
                    AUTÊNTICOS
                    NATURAIS
                DE GESTOS-DE GESTOS
OS GESTOS DA TUA PINTURA
OS GRITOS MODULADOS DO
TEU DESENHO NO CÉU CLARO
FORTEMENTE ILUMINADO
                           DA BEIRA-RIO


                           DA BEIRA-TEJO
DO RIO Á BEIRA
DA RIBEIRA DE LISBOA.

      DEPOIS AS TUAS MÃOS
MÁGICAMENTE
       MÁGICA DE CIÊNCIA
       E DE SABER- DE- OFÍCIO
       DESDOBRAM O
                                 SORTILÉGIO
DO ACONTECER.
                             MÉTAFISICA DO QUOTIDIANO
BRAÇADAS DE TERNURA
                             ANÓNIMA
                             QUE RÁPIDAMENTE
                             ORGANIZAS
NO LINHO PREPARADO
NA PAREDE NA PÁGINA
                       QUE DESFOLHAS.

-OUTONO SALGADO
                    MORDIDO DE SOL
INVERNO ILUMINADO
                   PRIMAVERA
DE MÃOS E ROSTOS
                    DE PALAVRAS
DE SILÊNCIOS, DE BEIJOS
DE GRITOS SUFOCADOS
       DE HÉLICES
       DE REDES, DE GAIVOTAS
       DE PORTAS, DE REMOS

                              DE PEIXES

DE SOMBRAS FRATERNAS
                          NOS CORPOS QUE SE TOCAM
CONVIVÊNCIA INADIÁVEL
QUE DESLUMBRADO
         AGARRAS E REGISTAS
                            E  RESPONDES.

E RESPONDES,REPITO
NESSA SEGUNDA CASA
ONDE CONVIVES COM ESSA OUTRA FAMÍLIA
QUE TU AMAS TANTO
            COMO A PRIMEIRA
            QUE É A TUA MULHER E O TEU FILHO
ESSA OUTRA FAMÍLIA
        QUE É O CHIADO E A BRASILEIRA
                                                        AS LIVRARIAS
OS AMIGOS A RUA
                       DO ALECRIM,QUE DESCES
DESLUMBRADO A PENSAR
NO ENCONTRO FELIZ
INDIMENSIONAL ABSOLUTO
COM O TEU SOL O TEU RIO
RIO DE PEIXES E DE CORPOS

BRUMA SENSUALÍSSIMA
               DE PERFIS SEGREDADOS
               QUE RISCAS
                        ENERGICAMENTE
                NUMA CARÍCIA
                              MEMORIZADA
TERRIVELMENTE ÍNTIMA
DUMA DOLOROSA ALEGRIA
                                    ALEGRIA QUE CONSTRÓIS
                                                              PACIENTE
                                                              E EXALTADO
                                     RESPONDENDO
                                                                AO PORQUÊ?
                                                                AO PORQUÊ?
DA ÁRVORE GENEOLÓGICA DA VIDA

                       Lisboa, 12 de junho de 1975
                        Escultor prof. Lagoa Henriques


terça-feira, 9 de agosto de 2011

Pintores e Crítícos de Arte que conviveram com Luis Dourdil e participaram em jornais, revistas, catálogos e exposições.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Recordando o meu pai


O meu pai era um frequentador do Chiado, amava Lisboa e amava o Chiado! Teve um desgosto profundo quando aconteceu o incêndio. A minha mãe costumava dizer que o meu pai passava as férias no Chiado. Aí se realizaram as exposições  individuais que fez em vida, na Escola Superior de Belas Artes, Galeria Diário de Noticias e na Galeria Bertrand. Das tertúlias que o meu pai frequentava faziam parte, entre outros, João Hogan, Marcelino Vespeira, Sá Nogueira, Martins Correia, Gil Teixeira Lopes, Rogério Ribeiro, Artur Bual, Júlio Pomar, ....  Estes eram os do Chiado; da tertúlia dos Coruchéus faziam parte o Manuel Viana,Vitor Belém, José Cândido, Gracinda Candeias, Isabel Laginhas, Arlindo Vicente, João Vieira,  Manuela Pinheiro, Laranjeira Santos...
Luis Fernando: Defino o meu pai como um homem delicado, cortês, discreto, que tinha uma forma de estar na vida muito própria dele, enquanto pintor e enquanto intelectual. Era um autodidacta que estudou profundamente a pintura. Para além do dom inato que pudesse ter, estudou muito a figura humana, os cânones e os tratados acerca da mesma. Como homem e como pintor era extremamente rico. De repente parava na rua e debruçava-se para apanhar uma folha (seca, recordo-me que era dessas que gostava mais, pelas vibrações do colorido que poderiam ter) e dizia-me: "Olha, Luis, que bonita a associação de cores que a Natureza criou nesta folha". Era um homem que essencialmente se prendia à cor, embora tivesse o desenho como a matriz da pintura. Não se pode dizer que tenha pintado pouco; não pintou muito, o que é um pouco diferente. E, se sentia que lhe queriam comprar pintura como quem compra para investir, não vendia. Mas se o iam visitar e manifestavam gosto sincero pelos seus quadros, dizia: "Leve, tenho muito gosto!" ... O meu pai era um sentimental sóbrio e um excelente pai!

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

PINTURA PORTUGUESA SEC XX LUIS DOURDIL





"Nunca fui um paisagista. Parti sempre da forma real, mas só me interessei de facto pela figura humana. parece que apenas nela encontro a beleza e a tragédia ou as partes articuláveis de uma nova ordem, um dinamismo interno - a pintura antes de tudo."


Luís Dourdil 




É na adolescência que Dourdil inicia o seu trajecto plástico,sobretudo no desenho.




desenho.

O desenho foi a sua matriz ao longo da vida.

"O seu desenho tem uma leveza e,ao mesmo tempo uma força que marcam a personalidade do artista"
Raul Rego

Decoração Mural-Esgrafito no Foyer de Honra do Cinema Império em Lisboa

Trabalho executado em 1952 (48m2),actual Café Império em Lisboa

Vida e obra de Luis Dourdil