sábado, 28 de setembro de 2013

" VARINAS" DE LUIS DOURDIL



"Varinas" Pastel s/Papel c. 1952/54 50 X 24

NA HORA DE PÔR A MESA ÉRAMOS CINCO


“na hora de pôr a mesa, éramos cinco:
o meu pai, a minha mãe, as minhas irmãs
e eu. depois, a minha irmã mais velha
casou-se. depois, a minha irmã mais nova
casou-se. depois, o meu pai morreu. hoje,
na hora de pôr a mesa, somos cinco,
menos a minha irmã mais velha que está
na casa dela, menos a minha irmã mais
nova que está na casa dela, menos o meu
pai, menos a minha mãe viúva. cada um
deles é um lugar vazio nesta mesa onde
como sozinho. mas irão estar sempre aqui.
na hora de pôr a mesa, seremos sempre cinco.
enquanto um de nós estiver vivo, seremos
sempre cinco.

(José Luis Peixoto)






" VARINAS " DE LUIS DOURDIL




“Nos seus quadros ricos de transparência, sente-se uma passagem perfeita dos primeiros aos últimos planos, e atinge-se o acordo entre a figura humana e a envolvência atmosférica numa harmonia tão íntima num equilíbrio tão justo, que deixa de ser necessário o contorno que individualiza a figura, para que seja amortecido o rigor do contacto entre o sólido e o fluído”.
 Rui Mário Gonçalves



Para o situar a geração de Dourdil, vale a pena lembrar os nomes de alguns pintores portugueses que nasceram nessa década:
" Mário Dionisio, Álvaro Perdigão, Manuel Filipe, Manuel Ribeiro Pavia, Estrela Faria, Augusto Gomes, José de Lemos, Paulo Ferreira,Cândido da Costa Pinto, Magalhães Filho, Guilherme Camarinha, Manuel Lapa, António Dacosta, João Navarro Hogan, Luís Dourdil, Maria Keil, Júlio Resende. Joaquim Rodrigo e José Júlio, nascidos também na mesma década,vieram a revelar-se pintores, mais tarde do que os outros.
É um conjunto de artistas que fazem charneira entre a geração de Botelho, Eloy, Júlio, Alvarez, e a geração de Pomar, Lanhas, Vespeira e Fernando de Azevedo. Vieira da Silva era ainda muito pouco conhecida, por viver fora de  Portugal. O fluir da vida cultural deve ser conhecido se queremos entender alguma coisa da acção dos protagonistas".

Rui Mário Gonçalves






" VARINAS" DE LUIS DOURDIL

ÓLEO S/PLATEX C.1955 100 X 60



  Vem sentar-te comigo Lídia, à beira do rio.

Vem sentar-te comigo Lídia, à beira do rio.
Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos
Que a vida passa, e nao estamos de maos enlaçadas.
                  (Enlacemos as maos.)

Depois pensemos, crianças adultas, que a vida
Passa e nao fica, nada deixa e nunca regressa,
Vai para um mar muito longe, para ao pé do Fado,
                  Mais longe que os deuses.

Desenlacemos as maos, porque nao vale a pena cansarmo-nos.
Quer gozemos, quer nao gozemos, passamos como o rio.
Mais vale saber passar silenciosamente
                  E sem desassosegos grandes.

Sem amores, nem ódios, nem paixoes que levantam a voz,
Nem invejas que dao movimento demais aos olhos,
Nem cuidados, porque se os tivesse o rio sempre correria,
                   E sempre iria ter ao mar.

Amemo-nos tranquilamente, pensando que podiamos,
Se quiséssemos, trocar beijos e abraços e carícias,
Mas que mais vale estarmos sentados ao pé um do outro
                   Ouvindo correr o rio e vendo-o.

Colhamos flores, pega tu nelas e deixa-as
No colo, e que o seu perfume suavize o momento -
Este momento em que sossegadamente nao cremos em nada,
                   Pagaos inocentes da decadencia.

Ao menos, se for sombra antes, lembrar-te-as de mim depois
sem que a minha lembrança te arda ou te fira ou te mova,
Porque nunca enlaçamos as maos, nem nos beijamos
                    Nem fomos mais do que crianças.

E se antes do que eu levares o óbolo ao barqueiro sombrio,
Eu nada terei que sofrer ao lembrar-me de ti.
Ser-me-ás suave à memória lembrando-te assim - à beira-rio,
                    Pagã triste e com flores no regaço.

                                           Ricardo Reis

"Nunca fui um paisagista. Parti sempre da forma real, mas só me interessei de facto pela figura humana. parece que apenas nela encontro a beleza e a tragédia ou as partes articuláveis de uma nova ordem, um dinamismo interno - a pintura antes de tudo."


Luía Dourdil

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

"A pintura é a forma de arte mais explicita dos sentimentos e do pulsar de uma cidade, de um povo e de uma época. As figuras do quotidiano compõem-se isoladas ou solidárias nas representações decorativas dos espaços e tornam-se o hábito do olhar". Maria Calado,Vereadora da C.M.L. in Luis Dourdil - Palácio das Galveias, Abril de 2001

Mariana Vidigal fundadora do Projecto V ART, cuja missão é divulgar o Património Artístico português estudou a obra de Luís Dourdil e em particular o Mural do Café Império.
Denunciando a degradação em que se encontra o fresco fez um inquérito junto dos frequentadores do Café cujo resultado foi a unanimidade dos inquiridos a favor do restauro.

A V art,  colocou placas identificativas dos autores das obras que estão expostas no Café Império.
Jorge Barradas Luis Dourdil e Martins Correia.



UMA OBRA INSCRITA NO NOSSO SÉCULO



"Dourdil criou esta Obra Monumental cerca de 50 m2 figurativa,pástica, cor harmoniosa, sóbria"...

Adriano de Gusmão


segunda-feira, 20 de maio de 2013

HOMENAGEM A DOURDIL NA GALERIA ARTUR BUAL




O Vereador Sr. Antonio Moreira e Luis Fernando Dourdil Dinis

LUIS DOURDIL - "SERENA ENVOLVÊNCIA DO CORPO" - EXPOSIÇÃO NA GALERIA ARTUR BUAL






EXPOSIÇÃO DE LUIS DOURDIL - GALERIA ARTUR BUAL





 Exposição de Pintura e Desenho de Luís Dourdil patente na Galeria Municipal Artur Bual
“Serena envolvência do corpo”
De 18 de abril a 26 de maio 2013




Entrada livre.

Horário de funcionamento:
Terça a sexta-feira – das 10.00h às 12.30h e das 14.00h às 18.00h
Sábados, domingos e feriados – das 15.00h às 18.00h
Encerra às segundas-feiras



Luis Fernando Dourdil Dinisfilho do pintor 
junto do auto retrato do seu pai, (carvão) e da mãe Olinda Dourdil, também (carvão).
O busto do pintor é da autoria da escultora Dorita Castelo Branco.

SERENA ENVOLVÊNCIA DO CORPO - EXPOSIÇÃO EM HOMENAGEM AO PINTOR LUIS DOURDIL






A Galeria Municipal Artual Bual acolhe, entre os dias 18 de abril e 26 de maio de 2013, a exposição de desenho e pintura “Serena envolvência do corpo” do pintor, desenhador e artista gráfico Luís César Pena Dourdil.
Luís Dourdil nasceu em Coimbra em 1914. Faleceu em Lisboa em 1989. Autor de pinturas murais em Lisboa, de grandes dimensões como a que pintou no Café Império, ocupou cargos diretivos na Sociedade Nacional de Belas Artes (1957-1963) e foi ainda vogal correspondente da Academia Nacional de Belas Artes.









quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

LUIS DOURDIL -PINTORES PORTUGUESES SEC.XX

LETRAS E ARTES de 14- 06-1975

LUIS DOURDIL
Um artista na continuidade e na renovação"
"Mais de quarenta anos de experiência, aberta a uma sempre livre inspiração pessoal e, ao mesmo tempo, a um apuramento técnico amadurecido, lúcido, intransigente com a sua mesma facilidade, fizeram de Luis Dourdil um dos pintores e desenhadores mais seguros de si mesmo nas artes plásticas de Portugal moderno.A sua obra foi sempre e é agora mais do que nunca a de uma personalidade forte, exprimindo-se sem influências que possam ser dependências. E é uma obra excepcional em que a força e firmeza, sem necessidade de feitos nem de rebuscamentos dão uma <verdade> de visão de artista que só deve a si próprio".
Mário de Oliveira

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

LUIS DOURDIL -PINTORES PORTUGUESES SEC.XX

 O MEU PRESENTE FOI NO PASSADO O FUTURO DESEJADO"
LUIS DOURDIL
    

Luis Dourdil  1986


LUIS DOURDIL - EXPOSIÇÃO COLECTIVA- C.M. DE CASTELO BRANCO

<<Nas Margens da Linha>>

Composta por cerca de 50 Desenhos, abrangendo um período de aproximadamente 50 anos, onde estão representados 24 autores, tais como António Areal, Luís Dourdil, Rocha de Sousa, Manuela Cristóvão, Teresa Dias Coelho,entre outros.



LUIS DOURDIL - PINTORES PORTUGUESES SEC.XX


segunda-feira, 26 de novembro de 2012

LUIS DOURDIL - PINTORES PORTUGUESES SEC. XX



ORQUESTRAÇÃO DE SUBTILEZA


Luís Dourdil é um criador. Pintor figurativo abstractizante é um dos grandes nomes da actual pintura portuguesa contemporânea.
É na adolescência que Luís Dourdil inicia o seu trajecto plástico, sobretudo no desenho. Até aos 30 anos o desenho é a sua matriz – núcleo imaginativo das coisas e dos seres. A sua temática abrange as gentes anónimas do meio urbano, gentes da ribeira, gentes de Alfama, trabalhadores a preto e branco. O mundo dos humanos constitui o seu apelo.

Nos anos 40, visita várias cidades da Europa e a sua visão emerge, plena de síntese, de acordo coma sua própria concepção plástica.

Nos anos 50, época da maturidade, o pintor capta, definitivamente, os alicerces estruturais e estéticos do seu edifício plástico.

O trabalho das tintas moldadas por um tratamento abstractizante expande-se em manchas, em toques, em planos e breves contrastes, na conjugação discreta mas sólida do mundo já visto e indiscutivelmente de novo dado a ver como facto redescoberto.
A suavidade da cor, as sombras, as névoas, as geometrias cénicas.                        

                                                                                                                              ANTONIO SEM

In O Século, 2 Fev.1989

LUIS DOURDIL - PINTORES PORTUGUESES SEC. XX

LUIS DOURDIL - O lápis como instrumento soberano Desenho e Pintura



LUIS DOURDIL - PINTORES PORTUGUESES SEC.XX

"Preciso de parar constantemente de pintar para poder proporcionar e receber as sugestões que o quadro me vai dando à medida que nele avanço"

"Luis Dourdil.



domingo, 4 de novembro de 2012

LUIS DOURDIL - PINTORES PORTUGUESES DO SEC.XX


Arte Partilhada Millennium BCP - "Abstracção".
Esta exposição itinerante, patrocinada pela prestigiada instituição bancária, que visa evidenciar o importante património artístico nacional, bem como contribuir para o enriquecimento cultural do país, reúne uma selecção de 74 pinturas representativas do abstraccionismo português e estrangeiro.


Revestida de notável interesse pela diversidade de obras expostas, das quais se destaca um núcleo autoral significativo da pintora portuguesa Maria Helena Vieira da Silva, com doze pinturas. Para além desta, sublinha-se a presença de obras dos seguintes artistas: Alfred Manessier, André Lanskoy, Ângelo de Sousa, António Areal, António Palolo, Arpad Szenes, Artur Bual, Artur Rosa, Augusto Barros, Eduardo Batarda, Eduardo Nery, Fernando Aguiar, Fernando Lemos, Jorge Pinheiro, Júlio Pomar, Júlio Resende, Justino Alves, Luis Demée, Luis Dourdil, Manuel Cargaleiro, Manuel D"Assumpção, Mário Cesariny, Menez, Nadir Afonso, Nikias Skapinakisl, Paula Rego, Pedro Casqueiro, Serge Poliakoff, Teresa Magalhães, TOM e Zao Wou-Ki. 

LUIS DOURDIL - PINTORES PORTUGUESES DO SÉC.








 DOURDIL ÓLEO S/TELA 100X119 de 1968
Lisboa 
Esta névoa sobre a cidade, o rio,as gaivotas doutros dias, barcos, gente apressada ou com o tempo todo para perder,esta névoa onde começa a luz de Lisboa,rosa e limão sobre o Tejo, esta luz de água,nada mais quero de degrau em degrau.


Eugénio de Andrade




domingo, 21 de outubro de 2012

LUIS DOURDIL - PINTORES PORTUGUESES DO SEC.XX

"O FASCÍNIO  DOS QUADROS DO MESTRE DOURDIL SITUA-SE NESSA FRONTEIRA A QUE AFLUEM AS IMAGENS DA VIDA  E A SUA TRANSFIGURAÇÃO ..."                                                                                                                                                                   NELSON DI MAGGIO IN ARTES PÁSTICAS 20/05/1986

 





















S/ TÍTULO  ÓLEO S/TELA  DE 1969 90X 118

LUIS DOURDIL -PINTORES PORTUGUESES SEC.XX

A PINTURA DE LUIS DOURDIL

UMA OBRA INSCRITA NO NOSSO SÉCULO, ATRAVESSADO
POR ACESOS FOGOS CRUZADOS, NUMA ARDOROSA E CONTÍNUA BATALHA DE CORRENTES E ACEPÇÕES ESTÉTICAS, MAS EM QUE O ARTISTA SOUBE ELEGER O SEU CAMINHO PESSOAL, COMPREENDEU COM AGUDA CONSCIÊNCIA CRÍTICA O PANORAMA CULTURAL E SOCIAL CONTEMPORÂNEO.
ADRIANO GUSMÃO IN DIÁRIO NOTÍCIAS 3/6/1982



segunda-feira, 10 de setembro de 2012

LUIS DOURDIL - PINTORES PORTUGUESES DO SEC.XX

 ÓLEO S/TELA S/ TÍTULO de 1980  93X127 FASE"JOVENS"

 " Dourdil é um nome com a linearidade de um desenho. Não de um desenho directo a um fim, mas quebrado e às vezes   mesmo enredado no percurso, como este que ele um dia me deu e tenho agora aqui diante de mim. Encontrávamo-nos com frequência quando eu ia à cantina para almoçar e ele vinha do atelier para almoçar. E tínhamos palavras breves nesse encontro breve. Assim calhou uma vez dizer-lhe, um pouco ao acaso,que o desenho lhe fundamentalizava a  pintura , não a cor:

 Você é da lingagem de Florença não de Veneza.

Ele fitou-me com o seu olhar directo e imóvel, à procura, na pergunta que havia em mim, de uma resposta que houvesse nele.

 Deve tê-la achado no seu modo de ser amável ao dizer-me apenas - 

Talvez!

Mas é possível que tudo se reduzisse à dificuldade de encontrar aí o que fosse  plausível, o que também respondesse ao que na sua pintura era a sua cor grave sólida de peso e estável. E è esse modo estável, diria talvez mesmo discreto da sua cor toldada de uma noite oblíqua e longínqua, que me faz agora emergir a sua obra para a memória nublada e um pouco já distante, que ela me ficou".   

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                   Vergílio Ferreira                                                                       In Jl,13 mar.1990






LUIS DOURDIL - PINTORES PORTUGUESES SEC.XX

LUIS DOURDIL - 1914 - 1989

ÓLEO S/TELA - DE 1979  -  COLECÇÃO CAMJAP - FUNDAÇÃO CALOUSTE GULBENKIAN  

(...)
"Dourdil foi um mestre do equilíbrio de diversas aprendizagens
do seu tempo, tanto na ordem de uma figuração transgredida como no âmbito de uma insinuação abstracta ao mesmo tempo pressuposta e exposta. E o enlace de tais processos de construir e de formar permitiu-lhe, sem a demagogia de certas denúncias superficiais,alcançar níveis de significação onde acabava por prevalecer um especial sentido do drama.O drama social, sem dúvida, mas sobretudo no plano de grandes sínteses,entre brumas, desencantos e fugazes anotações líricas sobre lugares anónimos,sobre protagonistas mascarados de sombra, sobre abraços e mortes lassas de um quotidiano cada vez mais absurdo.
Contemporâneo da literatura do absurdo, mas não empenhado em a seguir ou ilustrar, Dourdil é dos autores portugueses que melhor entenderam esse não sentido do enganador sentido das aparências, quer do ponto de vista gestáltico,quer do ponto de vista existencial e filosófico. É por isso que a sua pintura nos mostra gente em espera,pedaços de corpos,sonos,sem amanhecer,solidariedades desesperadas,um grito silencioso que podemos conotar,passando por cima do lado imediato da forma com o teatro de Beckett ou a inquietante ausência de resposta, das melhores alegorias de Kafka.(...)
                                                          Prof. ROCHA DE SOUSA
                                                     In Artes Plásticas nº 1 de 1990