Grande nome da pintura contemporânea.Pintor e desenhador figurativo abstractizante.Inicia o seu trajecto plástico no desenho e a sua temática foram gente anónima do meio urbano, Alfama, as peixeiras e trabalhadores a preto e branco.
quinta-feira, 5 de abril de 2012
Luis Dourdil-Pintores Portugueses do Século XX
Na pintura, um dos elementos fundamentais é a cor A relação formal entre as massas coloridas presentes em uma obra constitui sua estrutura básica, guiando o olhar do espectador e propondo-lhe sensações de calor, frio, profundidade, sombra, entre outros. Estas relações estão implícitas na maior parte das obras de Luís Dourdil.
"(...)Nos seus quadros ricos de transparência,sente-se uma passagem perfeita dos primeiros aos últimos planos, e atinge-se o acordo entre a figura humana e a envolvência atmosférica numa harmonia tão íntima num equilíbrio tão justo,que deixa de ser necessário o contorno que individualiza a figura,para que seja amortecido o rigor do contacto entre o sólido e o fluído.
Começou a mostrar as suas pinturas ao tempo em que Frederico George e Maria Keil o faziam também.Mas os seus primeiros camaradas deixaram há muito de aparecer só Dourdil continua.Por isso,muitas vezes tenho pensado que no plano estético, ele é o único sobrevivente da sua geração".
RUI MÁRIO GONÇALVES IN Fundão,9 de Dezembro de 1962
terça-feira, 3 de abril de 2012
Luis Dourdil-Pintores Portugueses do Século XX e a análise da sua obra pelos críticos de arte
(...) Fomos amigos de longa data e de feliz convivência.Dourdil era alguém sem constrangimentos de convívio e o seu abraço ou fala ou modo de sorrir eram, tão imediatamente acolhedores!Modesto,quanto à criação da sua obra era um pintor que embora se visse,não se mostrava...Eu creio que Dourdil andou por estes meandros da "secção de ouro" e da porta da harmonia...Desde a monumentalíssima e tão belamente ritmada composição, executada a têmpera na grande tradição do "fresco", (Café Império),até as pinturas bem menores ou simples desenhos, Dourdil foi ritualizando como uma espécie de "promenade" do espectáculo da vida com seres do acaso,"motards",jovens apaixonados,vagabundos,vultos; ou o outro lado da vida,a inteireza de um corpo de peixeira na sua ortogonalidade sensual, diiálogos sussurrados, de vendedeiras de mercado, belas como estátuas...
Nenhum destes corpos perde alguma vez a majestade da atitude,uma espécie de dignidade clássica que confere o respeito à representação. É este acerto,raro neste tempo em Portugal -só Almada o conseguiu- que surpreende e dá a toda a obra de Dourdil uma excepcional presença no contexto português.Luis Dourdil é, finalmente um admirável pintor do silencioso achamento da totalidade.
Fernando Azevedo Março de 2001 In Luis Dourdil-Exp. de Pintura e Desenho:Palácio Galveias
Nenhum destes corpos perde alguma vez a majestade da atitude,uma espécie de dignidade clássica que confere o respeito à representação. É este acerto,raro neste tempo em Portugal -só Almada o conseguiu- que surpreende e dá a toda a obra de Dourdil uma excepcional presença no contexto português.Luis Dourdil é, finalmente um admirável pintor do silencioso achamento da totalidade.
Fernando Azevedo Março de 2001 In Luis Dourdil-Exp. de Pintura e Desenho:Palácio Galveias
Luis Dourdil-Pintores Portugueses do Século XX e a análise da sua obra pelos críticos de arte
(...) Fomos amigos de longa data e de feliz convivência.Dourdil era alguém sem constrangimentos de convívio e o seu abraço ou fala ou modo de sorrir eram, tão imediatamente acolhedores!Modesto,quanto à criação da sua obra era um pintor que embora se visse,não se mostrava...Eu creio que Dourdil andou por estes meandros da "secção de ouro" e da porta da harmonia...Desde a monumentalíssima e tão belamente ritmada composição, executada a têmpera na grande tradição do "fresco", (Café Império),até as pinturas bem menores ou simples desenhos, Dourdil foi ritualizando como uma espécie de "promenade" do espectáculo da vida com seres do acaso,"motards",jovens apaixonados,vagabundos,vultos; ou o outro lado da vida,a inteireza de um corpo de peixeira na sua ortogonalidade sensual, diiálogos sussurrados, de vendedeiras de mercado, belas como estátuas...
Nenhum destes corpos perde alguma vez a majestade da atitude,uma espécie de dignidade clássica que confere o respeito à representação. É este acerto,raro neste tempo em Portugal -só Almada o conseguiu- que surpreende e dá a toda a obra de Dourdil uma excepcional presença no contexto português.Luis Dourdil é, finalmente um admirável pintor do silencioso achamento da totalidade.
Fernando Azevedo Março de 2001 In Luis Dourdil-Exp. de Pintura e Desenho:Palácio Galveias
Luis Dourdil-Pintores Portugueses do Século XX
" NUNCA FUI UM PAISAGISTA. PARTI SEMPRE DA FORMA REAL, MAS SÓ ME INTERESSEI DE FACTO PELA FIGURA HUMANA. PARECE QUE APENAS NELA ENCONTRO A BELEZA E A TRAGÉDIA, OU AS PARTES ARTICULÁVEIS DE UMA NOVA ORDEM, UM DINAMISMO INTERNO - A PINTURA, ANTES DE TUDO."
LUIS DOURDIL
O MEU PRESENTE FOI NO PASSADO O FUTURO DESEJADO"
Luis Dourdil 1986
“Uma tela não está pintada por estar toda“tintada”, está, sim, quando, compositivamente, as formas nela definidas pela cor pelo desenho se harmonizam entre si e exprimem o que o pintor nos quis comunicar"
LUIS DOURDIL
quinta-feira, 15 de março de 2012
Luis Dourdil-Pintores Portugueses do Século XX /Mural no Museu da Farmácia
Instalado no edifício da Associação Nacional das Farmácias, em Santa Catarina, o Museu da Farmácia foi inaugurado em 1996, e reúne um conjunto de peças sobre a história da saúde provenientes de diversas origens geográficas, desde o Egipto, a Grécia ou Roma Antiga.
Excelente passeio para ser feito em família.
Porta em ferro do Laboratório Sanitas.
Magnifico trabalho em terracota do Pintor Arlindo Vicente

O acervo deste museu representa 5000 anos de história da Saúde e é constituído por inúmeras peças de diversas origens geográficas (Egipto, Roma, Mesopotâmia, etc), sendo de salientar, a reconstituição de quatro Farmácias, como por exemplo, uma Farmácia de Macau, assim como uma farmácia portátil do séc. XVIII
Luis Dourdil-Pintores Portugueses do Século XX /Mural no Museu da Farmácia
Prémios
Melhor Museu Português em 1996, 1997, 1998- Melhor Projecto Farmacêutico em 1999
- Prémio Almofariz em 1999
- Prémio Nacional de Design e de Comunicação em 2002
- Nominated for the European Museum of the Year Award em 2004
- Prémio Melhor Serviço de Extensão Cultural em 2008
- ESTE FRESCO DE LUIS DOURDIL, ESTÁ EXPOSTO NUMA SALA DE ESTUDOS NO PISO SUPERIOR DO MUSEU DA FARMÁCIA.
Os nossos sinceros agradecimentos ao Dr.João Neto e Dr.ª Paula pelo amável acolhimento, nesta visita ao Museu.
Dr. João Neto Director do Museu e Dr. LuísFernando Dourdil filho do Pintor


No Hall de entrada da Associação encontram-se duas magnificas Obras em TAPEÇARIA de ROCHA DE SOUSA,Professor,Pintor Escritor e Crítico de Arte.
Luis Dourdil-Pintores Portugueses do Século XX /Mural no Museu da Farmácia
O Museu da Farmácia localizado no edifício da Associação Nacional de Farmácias, em Santa Catarina na CIDADE de LISBOA, foi inaugurado em Junho de 1996.
As primeiras peças que deram origem a este museu foram as doadas à Associação Nacional de Farmácias, pelo Dr. Salgueiro Basso à qual se seguiram várias doações de outros farmacêuticos associados e de outras instituições O acervo deste museu representa 5000 anos de história da Saúde e é constituído por inúmeras peças de diversas origens geográficas (Egipto, Roma, Mesopotâmia, etc), sendo de salientar, a reconstituição de quatro FARMÁCIAS, como por exemplo, uma Farmácia de MACAU assim como uma farmácia portátil doSEC. XVIII. Mostra também diversas máquinas e aparelhos utilizados pelas boticas no fabrico e armazenamento de medicamentos.
LUIS DOURDIL realizou em 1945 o MURAL de (25 m2) que está exposto na entrada do Museu da Farmácia,tendo, contudo, sido realizado no hall da entrada do Laboratório SANITAS, na AV. D. JOÃO V (onde DOURDIL foi designer gráfico) e após o encerramento do mesmo, transposto para o Museu.
(...) Exímio na têmpera e no óleo,DOURDIL era refém do seu grande talento,da sua elegância plástica,na forma de manchar, de encadear as matérias, de conferir presença a restos das linhas de estrutura e de contorno - no imenso bom gosto,que enfim... o pintor realizou belas pinturas murais - entre tapeçarias e frescos - de toda a arte portuguesa contemporânea...(...)
Prof.ROCHA DE SOUSA
In Cat.Ex.Pintura Portuguesa Séc.XX,Coimbra Sala da Cidade,20 Setembro 2001-27 Jan.2002
domingo, 11 de março de 2012
Luis Dourdil-Pintores Portugueses do Século XX e a análise da sua obra pelos críticos de arte
Luis Doudil ou a geometria sensível
(...) Fomos amigos de longa data e de feliz convivência.Dourdil era alguém sem constrangimentos de convívio e o seu abraço ou fala ou modo de sorrir eram, tão imediatamente acolhedores!
Modesto,quanto à criação da sua obra era um pintor que embora se visse,não se mostrava...
Eu creio que Dourdil andou por estes meandros da "secção de ouro" e da porta da harmonia...
Desde a monumentalíssima e tão belamente ritmada composição, executada a têmpera na grande tradição do "fresco", (Café Império),até as pinturas bem menores ou simples desenhos, Dourdil foi ritualizando como uma espécie de "promenade" do espectáculo da vida com seres do acaso,"motards",jovens apaixonados,vagabundos,vultos; ou o outro lado da vida,a inteireza de um corpo de peixeira na sua ortogonalidade sensual, diálogos
sussurrados, de vendedeiras de mercado, belas como estátuas...
Nenhum destes corpos perde alguma vez a majestade da atitude,uma espécie de dignidade clássica que confere o respeito à representação.
É este acerto,raro neste tempo em Portugal -só Almada o conseguiu- que surpreende e dá a toda a obra de Dourdil uma excepcional presença no contexto português.
Luis Dourdil é, finalmente um admirável pintor do silencioso achamento da totalidade.
Fernando Azevedo Março de 2001
In Luis Dourdil-Exp. de Pintura e Desenho:Palácio Galveias
Luis Dourdil-Pintores Portugueses do Século XX e a análise da sua obra pelos críticos de arte
Óleo S/Tela Col.Diário de Noticias
Mário de Oliveira IN O PAÍS 13 Maio de 1982
A Galeria do "Diário de Notícias",reabriu as suas portas.E começou a sua actividade da melhor maneira,precisamente com Luis Dourdil,que há muito marca lugar de destaque no panorama artístico português.
(...)Foi nos anos 40 que realizou pintura mural muito significativa,com composições em que o ser humano era uma constante,numa interpretação muito peculiar de construir figuras,sempre bem definidas por um desenho fortemente expressivo.
A evolução pictórica de Dourdil tem sido realizada com uma enorme coerência,sem nunca atraiçoar a sua personalidade.
Luis Dourdil com esta magnifica exposição marca sem dúvida um lugar ímpar dentro da arte portuguesa, e não só.
Mário de Oliveira IN O PAÍS 13 Maio de 1982
A Galeria do "Diário de Notícias",reabriu as suas portas.E começou a sua actividade da melhor maneira,precisamente com Luis Dourdil,que há muito marca lugar de destaque no panorama artístico português.
(...)Foi nos anos 40 que realizou pintura mural muito significativa,com composições em que o ser humano era uma constante,numa interpretação muito peculiar de construir figuras,sempre bem definidas por um desenho fortemente expressivo.
A evolução pictórica de Dourdil tem sido realizada com uma enorme coerência,sem nunca atraiçoar a sua personalidade.
Luis Dourdil com esta magnifica exposição marca sem dúvida um lugar ímpar dentro da arte portuguesa, e não só.
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
Luis Dourdil - OS ENCONTROS SUBMERSOS de Rocha de Sousa
De cada vez que rompe o seu próprio limite, antigo nas contenções e no equilíbrio da beleza, Dourdil apenas apaga sinais supérfluos, nunca essa memória densa de personagens semi-encobertas que nos revela há dezenas de anos, nem esse modo de fazer displiscente e lírico,nem essa fidelidade a uma caligrafia pela qual simultâneamente nega e torna visível a ficção das coisas. Esse constante retorno a si mesmo, desde a serena tranlucidez da pintura mural às cronicas dos encontros sobre a relva, empurra o autor pela boca dos analistas intensamente atentos à moda dos modos, para um espaço restrito dos estilos mais ou menos académicos - buraco negro da historia da arte actual portuguesa onde se encobrem nomes e obras...(...)
Rocha de Sousa Abril 1986
In Cat. da Exp.da Livraria Bertrand
LUIS DIURDIL OU GEOMETRIA SENSÍVEL - FERNANDO DE AZEVEDO
(....)
Luis Dourdil andou por estes meandros da "secção de ouro" e da "porta da harmonia" e de outras formulações da raiz aristotélica e paciolitica, o bastante para aceitar e por ventura admirar a simbologia geométrica de Jacques Villon que muito preciosa lhe foi para essas difíceis abordagens. E andou o tempo bastante para usar esse relacionamento com a independência de quem aprende sozinho e sozinho solitariamente se encontra.(...) Mas o seu abraço ou fala o modo de sorrir eram, sem falha, tão imediatamente acolhedores!
Um pintor que, embora se visse, não se mostrava.(...) O cubista mais racional de todos Juan Gris, o qual dizia que de um rectângulo de cor ou de um plano fazia uma garrafa.O mesmo que Dourdil à distância fez com as figuras que foi encontrando numa espécie de "promenade" ritualizada ao sabor de uma simpatia humana desperta ao espectáculo da vida.Seres do acaso uns vagabundos,"motards", corpos perdidos sem desejo num banco de jardim, vultos: ou outro lado da vida, a inteireza de um corpo de peixeira na sua ortogonalidade sensual, diálogos sussurados de vendedeiras de mercado, belas como estátuas , seres todos eles, uns e outros de que um mundo suporta a existência ou, não por vezes, a sofrida inexistência.
Por esse labirinto ocupado que são a composição e a cena de um quadro de Dourdil passa, sente-se, e ouve-se um profundo silêncio. A força dramática da obra...

Alguma coisa desse silêncio e dessa gravidade assenta naqueles cinzentos, por vezes frios com que enroupa a sua humaníssima figuração.
Luis Dourdil é finalmente um admirável pintor do silencioso achamento da totalidade.
Fernando de Azevedo (2001)
In Cat. da Exp. Palácio Galveias Abril 2001
Luis Dourdil andou por estes meandros da "secção de ouro" e da "porta da harmonia" e de outras formulações da raiz aristotélica e paciolitica, o bastante para aceitar e por ventura admirar a simbologia geométrica de Jacques Villon que muito preciosa lhe foi para essas difíceis abordagens. E andou o tempo bastante para usar esse relacionamento com a independência de quem aprende sozinho e sozinho solitariamente se encontra.(...) Mas o seu abraço ou fala o modo de sorrir eram, sem falha, tão imediatamente acolhedores!
Um pintor que, embora se visse, não se mostrava.(...) O cubista mais racional de todos Juan Gris, o qual dizia que de um rectângulo de cor ou de um plano fazia uma garrafa.O mesmo que Dourdil à distância fez com as figuras que foi encontrando numa espécie de "promenade" ritualizada ao sabor de uma simpatia humana desperta ao espectáculo da vida.Seres do acaso uns vagabundos,"motards", corpos perdidos sem desejo num banco de jardim, vultos: ou outro lado da vida, a inteireza de um corpo de peixeira na sua ortogonalidade sensual, diálogos sussurados de vendedeiras de mercado, belas como estátuas , seres todos eles, uns e outros de que um mundo suporta a existência ou, não por vezes, a sofrida inexistência.
Por esse labirinto ocupado que são a composição e a cena de um quadro de Dourdil passa, sente-se, e ouve-se um profundo silêncio. A força dramática da obra...

Luis Dourdil é finalmente um admirável pintor do silencioso achamento da totalidade.
Fernando de Azevedo (2001)
In Cat. da Exp. Palácio Galveias Abril 2001
- Rocha de Sousa - DOURDIL: IMAGEM POÉTICA
(...)
AS figuras do início sofriam discretas geometrizações,beneficiando de uma osmose quase gráfica esplendorosa,dos fragmentos morfológicos e da sua quase solene presença no espaço. Foi esta técnica que, sempre semelhante na diferença, estruturou cada vez mais o trabalho plástico do artista,tanto no desenho como na pintura.
Exímio na têmpera e no óleo, Dourdil era refém do seu grande talento, da sua elegância plástica, na forma de manchar, de encandear as matérias, de conferir presença a restos das linhas de estrutura e de contorno - no imenso bom gosto, enfim, que imprimia a essas presenças ou misturas,pintura cada vez mais no tempo, pintura em todo caso sempre figurativa, filtragem do visível, imagem cuja carga poética se despojava, comovente, num espaço sem referências adicionais.
Foi recorrendo a essa espécie de fragmentos modeladores, a essa secreta geometria que sustentava silhuetas e contornos,anatomias e olhares, que o pintor realizou uma das mais belas pinturas murais - entre tapeçarias e frescos - de toda a arte portuguesa contemporânea
o painel do café Império, numa parede de faustosa horizontalidade e com a forte presença dos seus 48 metros quadrados, regular, dir-se-ia inatacável. Aí, usando têmpera de ovo, Dourdil criou um imenso espaço cénico, nem profundo nem apenas bidimensional, povoado de figuras humanas, ora sentadas ora de pé, em grupos também, na simplificação nivelada então garantida pela perfeição das soluções, dos meios tons, das sombras suaves e das distâncias lumínicas, rectangulares, tudo apreciável em travelling lateral, o lugar ou o labirinto da meia festa daquela gente emblemática, a execução solta e exacta, os valores macios, as arestas mais pressentidas do que ostentadas, um murmúrio de vida colectiva a mover-se em câmara lenta, sublinhando a ideia sem nomes do grande espaço cénico do café, memória de belas salas de fumo de teatros e cinemas.
Em certo sentido, no cume de uma obra a fazer-se, esta pintura já perdida pela incúria dos homens e dos seus interesses espúrios, resumia o percurso em curva longa e segura do trabalho a óleo que Dourdil trouxe de um pós neo-realismo já desfocado para a orla de uma abstracção incompleta, lírica, estilisticamente superior.
(...)
Rocha de Sousa
In catálogo da exposição Pintura Portuguesa Séc.XX.Coimbra:Museu da Cidade-Sala da Cidade,20 de Set.2001-27-Jan.2002
AS figuras do início sofriam discretas geometrizações,beneficiando de uma osmose quase gráfica esplendorosa,dos fragmentos morfológicos e da sua quase solene presença no espaço. Foi esta técnica que, sempre semelhante na diferença, estruturou cada vez mais o trabalho plástico do artista,tanto no desenho como na pintura.
Exímio na têmpera e no óleo, Dourdil era refém do seu grande talento, da sua elegância plástica, na forma de manchar, de encandear as matérias, de conferir presença a restos das linhas de estrutura e de contorno - no imenso bom gosto, enfim, que imprimia a essas presenças ou misturas,pintura cada vez mais no tempo, pintura em todo caso sempre figurativa, filtragem do visível, imagem cuja carga poética se despojava, comovente, num espaço sem referências adicionais.
Foi recorrendo a essa espécie de fragmentos modeladores, a essa secreta geometria que sustentava silhuetas e contornos,anatomias e olhares, que o pintor realizou uma das mais belas pinturas murais - entre tapeçarias e frescos - de toda a arte portuguesa contemporânea
o painel do café Império, numa parede de faustosa horizontalidade e com a forte presença dos seus 48 metros quadrados, regular, dir-se-ia inatacável. Aí, usando têmpera de ovo, Dourdil criou um imenso espaço cénico, nem profundo nem apenas bidimensional, povoado de figuras humanas, ora sentadas ora de pé, em grupos também, na simplificação nivelada então garantida pela perfeição das soluções, dos meios tons, das sombras suaves e das distâncias lumínicas, rectangulares, tudo apreciável em travelling lateral, o lugar ou o labirinto da meia festa daquela gente emblemática, a execução solta e exacta, os valores macios, as arestas mais pressentidas do que ostentadas, um murmúrio de vida colectiva a mover-se em câmara lenta, sublinhando a ideia sem nomes do grande espaço cénico do café, memória de belas salas de fumo de teatros e cinemas.
Em certo sentido, no cume de uma obra a fazer-se, esta pintura já perdida pela incúria dos homens e dos seus interesses espúrios, resumia o percurso em curva longa e segura do trabalho a óleo que Dourdil trouxe de um pós neo-realismo já desfocado para a orla de uma abstracção incompleta, lírica, estilisticamente superior.
(...)
Rocha de Sousa
In catálogo da exposição Pintura Portuguesa Séc.XX.Coimbra:Museu da Cidade-Sala da Cidade,20 de Set.2001-27-Jan.2002
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
Luis Dourdil-Pintores Portugueses do Século XX

- Retrato Talvez Saudoso da Menina Insular
Tinha o tamanho da praia
o corpo era de areia.
Ele próprio era o início
do mar que o continuava.
Destino de água salgada
principiado na veia.
E quando as mãos se estenderam
a todo o seu comprimento
e quando os olhos desceram
a toda a sua fundura
teve o sinal que anuncia
o sonho da criatura.
Largou o sonho nos barcos
que dos seus dedos partiam
que dos seus dedos paisagens
países antecediam.
E quando o seu corpo se ergueu
Voltado para o desengano
só ficou tranquilidade
na linha daquele além.
Guardada na claridade
do olhar que a retém.
Natália Correia
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
Luis Dourdil-Pintores Portugueses do Século XX
Exposições /Pintura, Colectivas 50-90
Homenagem a artistas plásticos portugueses que nesse período tiveram grande relevância e que destes, alguns ainda continuam bem activos na sua criatividade. Autores presentes nesta exposição:
António Palolo, Carlos Calvet, Cesariny, Charrua, Cruzeiro Seixas, Gil Teixeira Lopes, Jorge Guimarães, Jorge Martins, Laranjeira Santos, Luis Dourdil, Nadir Afonso, Noronha da Costa, Pedro Chorão, Raul Perez e Victor Belém.
Laranjeira Santos retratado por Dourdil em 1988
Laranjeira Santos Escultor contemporâneo com uma obra que oscila entre o lado figurativo e o abstracto.
Na década de 60 foi bolseiro da Fundação Gulbenkian, em Roma. Trabalha a escultura em diferentes materiais.
Dedica parte dos seus estudos e projectos ao seu tema preferido – o corpo da mulher.
Homenagem a artistas plásticos portugueses que nesse período tiveram grande relevância e que destes, alguns ainda continuam bem activos na sua criatividade. Autores presentes nesta exposição:
António Palolo, Carlos Calvet, Cesariny, Charrua, Cruzeiro Seixas, Gil Teixeira Lopes, Jorge Guimarães, Jorge Martins, Laranjeira Santos, Luis Dourdil, Nadir Afonso, Noronha da Costa, Pedro Chorão, Raul Perez e Victor Belém.
Laranjeira Santos retratado por Dourdil em 1988
Laranjeira Santos Escultor contemporâneo com uma obra que oscila entre o lado figurativo e o abstracto.
Na década de 60 foi bolseiro da Fundação Gulbenkian, em Roma. Trabalha a escultura em diferentes materiais.
Dedica parte dos seus estudos e projectos ao seu tema preferido – o corpo da mulher.
Luis Dourdil-Pintores Portugueses do Século XX
ARTE E O ENGENHO
Livro comemorativo dos 20 anos do Grupo EFCIS (2011)com o objectivo de relacionar a Empresa com a Arte.
Entre vários grandes pintores portugueses,destaque para Luis Dourdil.
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
Luis Dourdil-Pintores Portugueses do Século XX
INÉDITOS DE LUIS DOURDIL-Ano de 1959
"Nunca fui um paisagista.Parti sempre da forma real,mas só me interessei de facto pela figura humana.Parece que apenas nela encontro a beleza e a tragédia,ou partes articuláveis de uma nova ordem,um dinamismo interno-a pintura,antes de tudo" Luis Dourdil
Luis Dourdil e a sua amiga e Pintora Gracinda Candeias-Pintores Portugueses do Século XX
Era assim que o Dourdil me via pintar....e cá vai mais um texto!
COMPOSIÇÃO COM DOR DE DENTES
A meio da tarde o Dourdil ao entrar no meu atelier, fica extasiado com uma visão "deslumbrante" -segundo as palavras dele:
Gracinda não se mexa!
- Eu estava reclinada no sofá com um cobertor laranja a tapar as pernas e havia uns azuis e um quadro meu em tons pasteis, acima da minha cabeça, só quem via tudo isto era o Dourdil, eu respondo:
-Estou cheia de dores de dentes!
-Mas olhe está envolvida numa linda e inspiradora composição! E serrava os olhos e desenhava no espaço, depois deste «torpor» preocupa-se e vai à farmácia comprar-me um remédio, era assim a nossa cumplicidade!!
Beijinhos,
Gracinda
COMPOSIÇÃO COM DOR DE DENTES
A meio da tarde o Dourdil ao entrar no meu atelier, fica extasiado com uma visão "deslumbrante" -segundo as palavras dele:
Gracinda não se mexa!
- Eu estava reclinada no sofá com um cobertor laranja a tapar as pernas e havia uns azuis e um quadro meu em tons pasteis, acima da minha cabeça, só quem via tudo isto era o Dourdil, eu respondo:
-Estou cheia de dores de dentes!
-Mas olhe está envolvida numa linda e inspiradora composição! E serrava os olhos e desenhava no espaço, depois deste «torpor» preocupa-se e vai à farmácia comprar-me um remédio, era assim a nossa cumplicidade!!
Beijinhos,
Gracinda
sábado, 7 de janeiro de 2012
Luis Dourdil-Pintores Portugueses do Século XX - Palácio dos Coruchéus
Perto da Biblioteca Municipal, sita no Palácio Galveias,existe uma das mais notáveis residências nobres lisboetas do séc. XVII. No início da década de setenta foi criado o Centro de Artes Plásticas dos Coruchéus. Concebido e construído à semelhança dos ateliers de Paris patrocinados por André Malraux. Trinta e seis ateliers distribuídos a artistas plásticos,sendo a renda de “um conto e quinhentos” não era fácil de pagar – o ordenado de um professor em Belas Artes primava, então, pela modéstia. Mas havia tertúlia! Amizade! Luis Dourdil, Luis Rodrigues,Ribeiro Farinha,José Alarcão,Manuel Viana,Luis Filipe de Abreu,Manuela Pinheiro, Mário Silva, Victor Belém, Soares Franco, António Vidigal, Sérgio Pombo, Gracinda Candeias, Isabel Laginhas, Laranjeira Santos, Rafael Salinas e Soares Branco, foram e são alguns entre outros que por ali passaram. Na altura, respeitadas as necessidades dos artistas que ali construíam obras e percursos, Dorita Castelo Branco teve a rampa que era indispensável para que na cadeira de rodas pudesse trabalhar.
quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
Luis Dourdil-Pintores Portugueses do Século XX
- Sumbe é uma Cidade e Município de Angola, capital da província do Kwanza-Sul.
Até 1975 designou-se Novo Redondo.
- Catedral do Sumbe arquitectura de Francisco Castro Rodrigues
- Tapeçaria do pintor Dourdil (1966) junto ao púlpito.
Tapeçaria de Luis Dourdil manufacturada na fábrica de tapeçarias de Portalegre.
segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
Luis Dourdil e a sua amiga e Pintora Gracinda Candeias-Pintores Portugueses do Século XX

NATAL
Nos idos anos 80, por várias razões não passei o Natal com a família durante 4 anos.
Ia sempre para fora e numa ida a Paris baralhei-me nas datas e perdi o avião!!!
Estava sem lençõis porque tinha posto tudo na lavandaria, lembrei-me logo do Dourdil e fui pedir auxilio e diz-me ele:

- Então vai passar o Natal sózinha?
- Sim!Disse-lhe
- Era o que faltava !Venha cá para casa!
Daí em diante, durante anos, passava sempre a véspera de Natal; mesmo com os meus pais eu dizia sempre:
Primeiro vou ao Dourdil!
Nunca mais me esqueço as noites calorosas com a Olinda o Luís Fernando e o Adriano de Gusmão que também lá passava.
Até hoje lembro-me também de comer o melhor perú da minha vida, nunca mais comi um igual!
terça-feira, 20 de dezembro de 2011
Luis Dourdil e a sua amiga e Pintora Gracinda Candeias-Pintores Portugueses do Século XX
«A DISSONANTE»...
Uma das vezes que fui ao atelier do Dourdil, estava ele numa dúvida terrível! faltava ali uma cor, mas que cor? - uma mais viva talvez... disse eu, oh Gracinda! acabou de me resolver o problema! A dissonante, pois está claro! O que falta é uma cor dissonante.... a partir desse dia quando ia ao meu atelier, brincava comigo e dizia: então já pintou a dissonante? riamos imenso quando contávamos na Brasileira do Chiado, mas não revelávamos o segredo! até numa conversa faltava a «dissonante»...ah! ah!!
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